Alunos da USP bloqueiam reitoria e pedem reabertura de negociação

Por Autor Redação TNRedação TN

Alunos da USP bloqueiam reitoria e pedem reabertura de negocia��o. Fonte: Folha de S.Paulo

Na madrugada desta quinta-feira, 7 de maio de 2026, alunos da Universidade de São Paulo (USP) realizaram uma ocupação na reitoria da instituição, bloqueando a entrada do prédio em um ato que visa pressionar a administração a reabrir as negociações sobre a greve que já dura mais de três semanas. Os estudantes formaram um cordão humano em frente à reitoria, e a situação se intensificou quando, por volta das 16h, o portão do prédio foi derrubado, levando a Polícia Militar a ser acionada. Este ato de ocupação é um reflexo da insatisfação crescente entre os alunos, que se sentem desrespeitados pela administração da universidade.

Os alunos afirmam que a reitoria, sob a gestão de Aluisio Segurado, encerrou unilateralmente as negociações sem um acordo satisfatório para a maioria dos cursos que ainda estão em greve. Em nota, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) declarou que a ação é um pedido justo e legítimo, ressaltando a intransigência da reitoria em não dialogar com os estudantes. "Queremos a reabertura da mesa de negociação.

A nossa reivindicação é justa e precisa ser atendida", afirmou a coordenadora do DCE Livre da USP, Rosa Baptista. Essa declaração evidencia a frustração dos alunos, que buscam um canal de comunicação aberto com a administração. A Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento da USP repudiou os atos, classificando-os como vandalismo e incompatíveis com os princípios acadêmicos que devem reger a convivência na universidade.

Em resposta, o DCE defendeu que a ocupação é pacífica e que as acusações da reitoria são infundadas. Os manifestantes planejam continuar a ocupação por tempo indeterminado até que haja uma sinalização positiva da reitoria sobre a retomada das negociações. Essa determinação dos alunos reflete um forte desejo de mudança e um compromisso com a luta por melhores condições de estudo.

Durante a ocupação, os estudantes organizaram atividades culturais e, até a noite, o ato ainda estava em andamento. A reitoria havia programado a terceira mesa de negociação para a segunda-feira anterior, mas anunciou nas redes sociais que as negociações estavam encerradas, o que gerou revolta entre os alunos. A falta de comunicação e a decisão abrupta da reitoria aumentaram a tensão entre as partes, levando os alunos a se sentirem ainda mais marginalizados.

As propostas apresentadas pela reitoria incluem um reajuste nos auxílios do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe), que beneficiaria cerca de 17. 587 estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O orçamento de 2026 para assistência estudantil é de R$ 461 milhões, e as propostas incluem a criação de uma nova modalidade de bolsa para alunos ingressantes em situação de vulnerabilidade, além de melhorias nos restaurantes universitários.

No entanto, os alunos consideram que as propostas não atendem às suas necessidades. Eles reivindicam um aumento significativo no valor das bolsas integrais, que atualmente são de R$ 885, para cerca de R$ 1. 804, que corresponde ao salário mínimo paulista.

Essa disparidade entre as expectativas dos alunos e as propostas da administração é um ponto central do conflito. A reitoria lamentou a escalada de violência e afirmou que, respaldada juridicamente, adotou as medidas cabíveis, acionando as forças de segurança pública para evitar a ocupação de outros espaços e prevenir danos ao patrimônio. Essa resposta da administração, embora justificada sob a perspectiva da segurança, pode ser vista como uma tentativa de silenciar a voz dos estudantes, que se sentem cada vez mais pressionados.

A situação na USP reflete um clima de tensão entre a administração e os estudantes, que se sentem desrespeitados e ignorados em suas demandas. A continuidade da greve e a ocupação da reitoria são um sinal claro de que os alunos estão dispostos a lutar por seus direitos e por melhores condições de estudo e permanência na universidade. O desfecho desse conflito ainda é incerto, mas a mobilização estudantil demonstra a força e a determinação dos discentes em buscar um diálogo efetivo com a administração da USP.

A luta dos alunos da USP é emblemática de um movimento maior que busca garantir direitos e condições dignas para todos os estudantes, refletindo uma necessidade urgente de diálogo e respeito mútuo entre a administração e a comunidade acadêmica.

Tags: USP, greve, reitoria, Negociação, Estudantes, Protesto Fonte: redir.folha.com.br