Michael Viriato, planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor, alerta que investidores podem ter perdas em ações valorizadas por causa de falhas comportamentais ao tomar decisões de compra e venda.
Diferença entre valorização da ação e retorno do investidor
Ele destaca que o ganho financeiro não depende só da valorização da ação, mas também do momento e decisão do investidor para comprar ou vender. Por exemplo, ao comprar uma ação a R$ 100 com um investimento de R$ 20 mil e vendê-la após queda para R$ 60, o investidor recebe só R$ 12 mil e perde 40%, mesmo que a ação se recupere depois e suba a R$ 120, valor que representa uma valorização de 20%.
Comportamentos que prejudicam o resultado financeiro
Estudos da Morningstar mostram que a rentabilidade dos fundos é maior do que aquela captada efetivamente pelos investidores, devido a comportamentos como resgates antecipados e decisões emocionais. Pesquisa da gestora Guepardo revela que 80% dos investidores que resgataram investimentos ficaram aplicados por menos de um ano, com metade saindo no prejuízo. Apenas 12% obtiveram rentabilidade anualizada superior à dos fundos, mesmo diante do desempenho positivo destes.
Viriato destaca o viés de recência, que faz o investidor supervalorizar altas recentes, e o comportamento de manada, associado ao medo de ficar de fora, levando a compras por impulso sem análise adequada. O excesso de confiança após acertos pode estimular negociações frequentes, elevando custos e reduzindo a rentabilidade. Pesquisa com contas americanas confirma que investidores que negociam mais têm retornos líquidos menores que o mercado.
O medo de perdas pode provocar o efeito disposição, quando o investidor reluta em vender ações em queda para não concretizar prejuízo e vende rapidamente ações em alta para garantir ganho imediato, um comportamento irracional em investimentos.
Recomendações para decisões financeiras mais racionais
Viriato reforça que decisões de venda ou manutenção devem se basear nas perspectivas futuras da empresa, não no preço de compra ou emoções. Para minimizar influências emocionais, aconselha definir objetivos claros, estabelecer regras para aportes e rebalanceamentos e evitar decisões baseadas apenas nas oscilações recentes do mercado.
Investir regularmente pode reduzir a dependência do timing do mercado, embora não garanta rentabilidade superior. Ele alerta que aumentar exposição após altas e diminuir após quedas contraria o princípio de aproveitar oportunidades com risco e retorno calculados.