Polícia Civil do DF investiga rede bilionária de apostas ilegais e lavagem

Por Autor Redação TNRedação TN

Pessoa acessa jogos de apostas em aplicativo no celular com tela de computador ao fundo - Foto: O Globo

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou em 5 de novembro de 2026 uma operação que investiga uma rede bilionária suspeita de explorar apostas ilegais e lavagem de dinheiro para o crime. A ação mobilizou agentes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, do Departamento de Combate ao Crime Organizado (DRACO/DECOR) e das polícias civis de São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.

Mandados cumpridos e bloqueios financeiros

Durante a operação, dezenas de mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e medidas de bloqueio patrimonial foram aplicadas conforme determinação do Juízo das Garantias de Sobradinho, no Distrito Federal. Contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas foram bloqueados, totalizando até R$ 3,483 bilhões. Além disso, foram suspensas inscrições no CNPJ e registros em juntas comerciais de 100 empresas e empresários, com proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados durante 90 dias.

Esquema financeiro e investigação

As investigações, em andamento há cerca de cinco meses a partir de comunicações da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF), identificaram que o esquema movimentou aproximadamente R$ 739 milhões. A movimentação financeira ocorreu principalmente por pagamentos via Pix a empresas com atividades variadas, como uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô no Distrito Federal.

Foram identificadas dezenas de empresas de fachada com endereços em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia, usadas para receber valores e redistribuí-los entre pessoas, empresas e instituições de pagamento, inclusive com conversão em criptoativos. Também está envolvida uma fintech de São Paulo, autorizada pelo Banco Central a funcionar como sociedade de crédito direto, ligada à movimentação de cerca de R$ 1 bilhão, cuja autorização pode ser cancelada.

Além disso, três empresas autorizadas pelas loterias da Paraíba e do Rio de Janeiro são investigadas por vínculos societários e movimentações financeiras suspeitas, especialmente após o fim do prazo de transição previsto na Medida Provisória que proibiu apostas de quota fixa em setembro de 2026.

Apuração de crimes e medidas

Nas buscas, agentes coletaram documentos, celulares, computadores, mídias e elementos ligados a criptoativos para identificar responsáveis, rastrear recursos e apurar prejuízos aos apostadores. Os investigados poderão responder por exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. As penas somadas podem chegar a 33 anos, especialmente em casos de uso de documento público falsificado.

Tags: Polícia Civil do Distrito Federal, Apostas Ilegais, Lavagem de Dinheiro, Bloqueio Patrimonial, Fintech, Draco, Ministério da Fazenda, Banco Central Fonte: oglobo.globo.com