A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,1% no primeiro trimestre de 2026, conforme dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira, 30 de abril. Este aumento representa uma alta de 1,0 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, que havia encerrado em 5,1%. O resultado também ficou ligeiramente acima do consenso do mercado, que previa uma taxa de 5,8% para o período. Desde o trimestre encerrado em maio de 2025, a taxa de desemprego não superava o patamar de 6%. Apesar dessa alta, a taxa de desocupação é a menor para o primeiro trimestre desde 2012, quando se iniciou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Na comparação com o mesmo período do ano passado, a taxa apresenta uma queda de 0,9 ponto percentual. A população desocupada atingiu 6,6 milhões de pessoas, com um aumento de 19,6% em relação ao trimestre anterior, o que equivale a mais 1,1 milhão de pessoas em busca de trabalho. No entanto, na comparação anual, o número de desempregados recuou 13,0%, com 987 mil pessoas a menos procurando ocupação. Embora a taxa de desocupação tenha aumentado, o mercado de trabalho continua em um patamar historicamente aquecido, com níveis de desemprego próximos das mínimas da série e renda em níveis recordes. Esse movimento é atribuído, em grande parte, a fatores sazonais e a uma acomodação após um período de forte geração de vagas ao longo de 2025. A resiliência do emprego é notável, mesmo em um ambiente de política monetária restritiva, onde a taxa Selic permanece elevada, em 14,5% ao ano, apesar de um corte recente de 0,25 ponto percentual. A combinação de um mercado de trabalho apertado e renda em alta tende a sustentar a atividade econômica, limitando o espaço para cortes mais agressivos de juros no futuro. Em um ano eleitoral, o desempenho do mercado de trabalho é um dos principais indicadores monitorados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a metodologia do IBGE, é considerado desocupado aquele que não está trabalhando, mas está em busca de uma vaga. Para uma análise mais completa do mercado de trabalho, é importante observar também o comportamento da população ocupada, que totalizou 102,0 milhões de pessoas no trimestre encerrado em março. Este número representa um recuo de 1,0% em relação ao trimestre anterior, ou seja, menos 1,0 milhão de trabalhadores. Contudo, em comparação com o mesmo período de 2025, houve um aumento de 1,5%. O recuo na ocupação foi disseminado entre os setores, sem crescimento em nenhum dos dez grupamentos de atividade analisados pela pesquisa. Os setores que mais perderam postos de trabalho foram Comércio (-1,5%), Administração Pública (-2,3%) e Serviços Domésticos (-2,6%), que juntos eliminaram mais de 870 mil postos de trabalho no trimestre. Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, destacou que a redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento sazonal, seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano, seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporários no setor público. A taxa de informalidade foi de 37,3% da população ocupada no trimestre encerrado em março, o que equivale a 38,1 milhões de trabalhadores informais. Este indicador recuou tanto na comparação trimestral quanto na anual. O número de empregados com carteira assinada no setor privado (excluindo trabalhadores domésticos) ficou em 39,2 milhões, sem variação significativa no trimestre, mas com alta de 1,3% na comparação anual. Já o contingente de empregados sem carteira assinada recuou 2,1% na margem. O número de trabalhadores por conta própria permaneceu estável no trimestre, em 26,0 milhões, e avançou 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A massa de rendimentos do trabalho, que corresponde à soma das remunerações de todos os trabalhadores, atingiu um novo recorde no trimestre encerrado em março, chegando a R$ 374,8 bilhões. Este indicador ficou estável na comparação trimestral e avançou 7,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O rendimento médio real habitual também alcançou o maior valor da série histórica, atingindo R$ 3.722, com alta de 1,6% frente ao trimestre anterior e de 5,5% na comparação anual. Beringuy explicou que o avanço da renda está associado à mudança na composição do mercado de trabalho, com a média de rendimento do trabalho atual registrando alta em função da redução de trabalhadores informais ou de formais com menores rendimentos.
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Desemprego volta em março e taxa volta a superar 6% após quase um ano