O Banco do Brasil (BB) divulgou nesta quarta-feira (13) um balanço que revela uma queda significativa de 54% em seu lucro líquido ajustado no primeiro trimestre de 2026, totalizando R$ 3,4 bilhões. Essa redução é atribuída principalmente ao aumento da inadimplência no crédito rural, que tem pressionado o desempenho financeiro da instituição.
Impactos da Inadimplência no Crédito Rural A inadimplência no setor agropecuário atingiu 6,22%, um aumento de 3,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Esse cenário de dificuldades financeiras entre os produtores rurais levou o Banco do Brasil a aumentar sua provisão para perdas, que agora soma R$ 16,8 bilhões, um crescimento de 46% em comparação ao mesmo período do ano passado. O aumento da inadimplência é um reflexo da crise enfrentada pelo agronegócio, que começou com a quebra da safra de soja em 2024, após um ano de produção recorde em 2023. Essa situação resultou em um aumento no número de recuperações judiciais entre os produtores ao longo de 2024 e 2025.
A pressão sobre o setor agropecuário, que é um dos pilares da economia brasileira, tem gerado um efeito cascata, impactando não apenas os agricultores, mas também as instituições financeiras que operam nesse segmento.
Revisão das Projeções de Lucro Diante desse cenário desafiador, o Banco do Brasil também revisou suas projeções de lucro para 2026, reduzindo a expectativa de um intervalo entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões para uma nova faixa entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. Essa revisão considera não apenas o agravamento do risco no agronegócio, mas também incertezas geopolíticas e a deterioração dos indicadores macroeconômicos.
A instabilidade no mercado internacional e as tensões políticas têm contribuído para um ambiente econômico incerto, o que torna a recuperação do setor agro ainda mais complexa.
Rentabilidade em Queda Outro indicador que mostra a deterioração da saúde financeira do banco é o retorno sobre patrimônio líquido (ROE), que caiu de 16,7% para 7,3% em um ano. Esse resultado também é inferior ao registrado no último trimestre de 2025, quando o índice estava em 12,4%.
A queda no ROE é um sinal claro de que a rentabilidade do banco está sob pressão, refletindo a dificuldade em manter a lucratividade em um cenário de aumento da inadimplência e revisão das expectativas de lucro.
Medidas Adotadas pelo Banco Para mitigar os impactos da crise no setor agro, o Banco do Brasil implementou diversas medidas, incluindo o reforço nos mecanismos de cobrança e a renegociação de dívidas. O programa BB Regulariza Dívidas Agro, por exemplo, resultou na renegociação de R$ 37,9 bilhões, com mais de 73 mil operações repactuadas e cerca de 25,5 mil produtores atendidos.
Além disso, o banco ampliou o uso de garantias e intensificou ações judiciais para recuperação de crédito. Essas iniciativas visam não apenas recuperar os valores devidos, mas também oferecer um suporte aos produtores que enfrentam dificuldades financeiras.
Crescimento da Carteira de Crédito Apesar das dificuldades enfrentadas, a carteira total de crédito do Banco do Brasil cresceu 2,2% em um ano, alcançando R$ 1,3 trilhão.
O segmento de pessoas físicas se destacou positivamente, impulsionado principalmente pelo crédito consignado. Os ativos totais do banco encerraram o trimestre em R$ 2,6 trilhões, enquanto o patrimônio líquido alcançou R$ 194,9 bilhões. Esse crescimento na carteira de crédito, embora positivo, não é suficiente para compensar as perdas significativas decorrentes da inadimplência no setor agro.