Durante uma reunião da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), realizada em Bishkek, no Quirguistão, o Irã fez uma proposta significativa ao sugerir o compartilhamento de suas capacidades militares defensivas com outros "países independentes". A declaração foi feita por Reza Talaei-Nik, vice-ministro da Defesa iraniano, que destacou as "experiências que levaram à derrota dos Estados Unidos" no conflito iniciado em fevereiro e atualmente em pausa.
A SCO é um grupo que reúne nove países asiáticos, incluindo aliados tradicionais do Irã, como China e Rússia, além de Índia, Paquistão, Quirguistão, Cazaquistão, Tajiquistão e Uzbequistão. A organização tem ganhado relevância geopolítica, especialmente em meio às tensões globais envolvendo potências ocidentais.
Contexto do Conflito e a Narrativa Iraniana
O conflito mencionado por Talaei-Nik teve início em fevereiro e, apesar de estar em pausa, permanece sem resolução definitiva, com negociações inconclusivas e um bloqueio naval no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte de petróleo mundial. O vice-ministro iraniano enfatizou que os Estados Unidos não conseguem mais impor suas políticas a países independentes, ressaltando a resiliência do povo iraniano e de suas Forças Armadas.
Além disso, o Irã mantém um bloqueio naval considerado um dos maiores da história recente, utilizando uma estratégia baseada em armas mais simples e econômicas, como drones, minas navais e barcos rápidos. Essa tática tem sido eficaz para conter a maior potência militar do planeta, segundo a narrativa iraniana.
Capacidades Militares e Exportações
Embora o Irã não seja um dos maiores exportadores de armas do mundo — representando apenas 0,3% das exportações militares globais em 2025, conforme dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri) —, o país vem aumentando sua produção militar nos últimos anos. Um destaque são os drones de ataque Shahed, que têm sido amplamente utilizados pela Rússia na guerra contra a Ucrânia iniciada em 2022. Cerca de 73% das exportações militares iranianas são destinadas à Rússia.
Durante a reunião da SCO, Talaei-Nik não focou apenas em negócios, mas buscou transmitir a narrativa iraniana de sucesso na contenção dos Estados Unidos, propondo o compartilhamento dessas experiências militares com outros membros da organização.
Diplomacia e Negociações Paralelas
O encontro na SCO faz parte de uma intensa agenda diplomática iraniana, que ocorre paralelamente às negociações com os Estados Unidos, mediadas pelo Paquistão, mas até agora sem avanços concretos. Recentemente, o chanceler iraniano Abbas Araghchi esteve em Moscou, onde recebeu apoio do presidente Vladimir Putin, que prometeu fazer "tudo o que estiver ao alcance" para ajudar o Irã.
O Irã também apresentou uma proposta para reabrir o Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o comércio global de energia, mas excluiu o programa nuclear das discussões iniciais. Essa proposta não agradou totalmente o governo americano, que exige garantias de que o Irã jamais desenvolverá uma bomba nuclear.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em sua rede social que o Irã estaria em um "Estado de Colapso" e que deseja a reabertura rápida do Estreito de Ormuz, embora não tenha detalhado o significado prático dessa situação.
Organização de Cooperação de Xangai (SCO)
- Formada por nove países: Irã, China, Rússia, Índia, Paquistão, Quirguistão, Cazaquistão, Tajiquistão e Uzbequistão.
- Reúne aliados estratégicos do Irã e tem ganhado importância geopolítica.
- Local da recente declaração iraniana sobre compartilhamento de capacidades militares.
Em resumo, o Irã tenta fortalecer sua posição internacional e militar por meio da SCO, promovendo uma narrativa de resistência e sucesso contra os Estados Unidos, enquanto negocia delicadamente questões estratégicas como o bloqueio do Estreito de Ormuz e seu programa nuclear.