O governo americano acredita estar próximo de um acordo com o Irã para encerrar a guerra, conforme informações divulgadas pelo portal de notícias Axios e pela agência de notícias Reuters nesta quarta-feira, 6 de maio de 2026. A expectativa surge após dias de tensões elevadas no Estreito de Ormuz, que diminuíram inesperadamente após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender uma operação militar destinada a escoltar navios através dessa importante rota marítima, com o objetivo de "dar espaço" às negociações. De acordo com a reportagem do Axios, os dois países estão prestes a finalizar um "memorando de entendimento" de uma página, que contém 14 pontos.
Este documento não apenas encerraria o conflito atual, mas também estabeleceria uma estrutura para negociações mais detalhadas no futuro, incluindo questões relacionadas ao programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos estão aguardando respostas do Irã sobre vários pontos-chave nas próximas 48 horas. Embora nada tenha sido formalmente acordado até o momento, fontes do governo americano afirmam que este é o momento em que as partes chegaram mais perto de um acordo desde o início das hostilidades.
Os principais negociadores americanos são os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner, que estão em contato com diversos funcionários iranianos, tanto diretamente quanto por meio de mediadores. Uma fonte do Paquistão, que atua como mediador nas negociações, também confirmou à Reuters que Washington e Teerã estão próximos de finalizar o memorando. "Vamos concluir isso muito em breve.
Estamos chegando perto", afirmou a autoridade, acrescentando que o Ministro das Relações Exteriores do Paquistão está trabalhando para garantir que o acordo leve a um "fim permanente" do conflito.
O que está no acordo? Entre as disposições do memorando, está o compromisso do Irã com uma moratória no enriquecimento de urânio, enquanto os Estados Unidos suspenderiam sanções, liberando bilhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas que estão congeladas no exterior.
Ambos os lados concordariam em suspender todas as restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz, conforme relatado pelo Axios. O acordo encerraria a guerra na região e daria início a um período de 30 dias de negociações sobre um acordo detalhado para abrir o estreito, limitar o programa nuclear do Irã e suspender as sanções americanas. Durante esse período, as restrições iranianas à navegação por Ormuz e o bloqueio naval americano seriam gradualmente suspensos.
As tratativas adicionais poderiam ocorrer em Islamabad, capital do Paquistão, ou em Genebra. A duração da moratória no programa nuclear iraniano ainda está em negociação. Na primeira rodada de negociações, realizada em 11 de abril, que terminou sem sucesso, os Estados Unidos exigiram uma pausa de cinco anos, enquanto o Irã ofereceu cinco, proposta que foi descartada.
Agora, segundo o Axios, as conversas giram em torno de um período entre 12 e 15 anos. Washington também deseja incluir uma cláusula que estipule que qualquer violação das normas de enriquecimento prolongaria a moratória, enquanto Teerã poderia enriquecer urânio até o nível baixo de 3,67% após o término da proibição. No mesmo entendimento, a República Islâmica se comprometeria a nunca desenvolver uma arma nuclear e aceitaria um regime de inspeções reforçado, incluindo visitas surpresa de fiscais das Nações Unidas.
Incertezas nas negociações Entretanto, muitos dos termos estabelecidos no memorando estariam condicionados à obtenção de um acordo final, o que deixa em aberto a possibilidade de uma retomada da guerra ou de um longo limbo em que o conflito armado tenha cessado, mas nada esteja realmente resolvido. De acordo com o Axios, a Casa Branca acredita que a liderança iraniana está dividida, o que pode dificultar a obtenção de um consenso entre as diferentes facções. Alguns membros do governo americano permanecem céticos quanto à possibilidade de se chegar a um acordo inicial.
No entanto, as autoridades que conversaram com o portal de notícias afirmaram que a decisão de Trump de suspender o "Projeto Liberdade", uma operação militar para escoltar navios através do Estreito de Ormuz, e evitar o colapso do frágil cessar-fogo, está conectada ao progresso das negociações. "Não precisamos ter o acordo final redigido em um dia", disse o secretário de Estado americano, Marco Rubio. "Isso é extremamente complexo e técnico.
Mas precisamos de uma solução diplomática que seja muito clara sobre os tópicos que eles estão dispostos a negociar e a extensão das concessões que estão dispostos a fazer inicialmente para que valha a pena", acrescentou.