ONU pede libertação ‘imediata’ de Thiago Ávila e ativista espanhol detidos em Israel

Por Autor Redação TNRedação TN

ONU pede libertação ‘imediata’ de Thiago Ávila e ativista espanhol detidos em Israel. Fonte: VEJA

As Nações Unidas pediram nesta quarta-feira, 6, que Israel liberte imediatamente o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abu Keshek, ambos ativistas detidos em uma flotilha humanitária com destino à Faixa de Gaza. A ONU também exigiu uma investigação sobre as acusações de maus-tratos que os dois teriam sofrido enquanto estavam sob custódia. Atualmente, eles se encontram em uma prisão na cidade de Ashkelon, no sul de Israel, desde que foram capturados na quinta-feira da semana passada, quando a flotilha, composta por 175 ativistas e cerca de vinte barcos, foi interceptada pelas forças israelenses na costa da ilha grega de Creta.

Na terça-feira, 5, as detenções de Ávila e Abu Keshek foram prorrogadas até, pelo menos, o próximo domingo, 10. O porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, declarou: "Israel deve libertar imediata e incondicionalmente os membros da Flotilha Global Sumud, que foram detidos em águas internacionais e levados para Israel, onde continuam retidos sem acusações". Ele acrescentou que "não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina de Gaza, que precisa urgentemente".

Os barcos da flotilha zarparam da França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio e entregar ajuda humanitária ao território palestino, que tem enfrentado uma grave crise humanitária devido a dois anos de guerra entre Israel e o grupo palestino Hamas. Os advogados dos ativistas alegam que as autoridades israelenses têm cometido maus-tratos e informaram que ambos entraram em greve de fome desde sua captura. Al-Kheetan denunciou os "relatos perturbadores de graves maus-tratos" e pediu uma investigação, insistindo que "os responsáveis devem ser levados à justiça".

Ele fez um apelo para que Israel cesse o uso da detenção arbitrária e de uma legislação antiterrorista ampla e vagamente definida, que é incompatível com o direito internacional dos direitos humanos. Israel, por sua vez, acusa os dois ativistas de vínculos com terroristas do Hamas, o que ambos negam. Thiago Ávila é considerado "suspeito de atividade ilegal", enquanto Saif Abu Keshek é visto como "suspeito de ligação com uma organização terrorista".

Acredita-se que esta organização seja a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), que é sancionada pelos Estados Unidos, que a acusam de "agir clandestinamente em nome" do Hamas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre o caso, chamando a ação do governo israelense de "injustificável". Em seu perfil no X (ex-Twitter), Lula afirmou: "Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da Flotilha Global Sumud, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos".

Ele ainda ressaltou que a interceptação da flotilha em águas internacionais já representou uma séria afronta ao direito internacional e comunicou que, juntamente com o governo da Espanha, exige que ambos ativistas recebam plena garantia de segurança e sejam imediatamente soltos. A Itália também abriu uma investigação por sequestro de pessoas, uma vez que ambos estavam em um barco de bandeira italiana. A Flotilha Global Sumud, cujo nome significa "resiliência" em árabe, pretendia levar ajuda humanitária ao território palestino.

Os barcos que não foram interceptados na semana passada seguiam para a cidade cretense de Ierápetra. De acordo com o grupo, agentes israelenses apontaram armas de assalto para os tripulantes e ordenaram que se deslocassem para a parte dianteira das embarcações. A operação, que ocorreu perto da Ilha de Creta, foi considerada uma distância "sem precedentes" do território de Israel.

O Ministério das Relações Exteriores israelense, por sua vez, afirmou que abordou o que chamou de uma "flotilha de propaganda" e alegou ter encontrado "preservativos e drogas" a bordo. Essa afirmação foi contestada pelo porta-voz do grupo, que classificou a declaração como "desinformação". Vale lembrar que dois comboios internacionais anteriores, com ativistas como Greta Thunberg e figuras de países latino-americanos, incluindo Thiago Ávila, foram interceptados pela Marinha israelense em frente às costas do Egito e de Gaza em 2025.

Tags: Thiago Ávila, ativista espanhol, ONU, Israel, Flotilha Global Sumud, Faixa de Gaza, Direitos Humanos Fonte: veja.abril.com.br