Rússia pede que diplomatas ucranianos abandonem Kiev diante de possível ataque

Por Autor Redação TNRedação TN

Rússia pede que diplomatas ucranianos abandonem Kiev diante de possível ataque. Fonte: VEJA

A Rússia pediu às missões diplomáticas ucranianas para "garantirem a retirada oportuna" de seu pessoal e de seus cidadãos em Kiev, nesta quinta-feira, 7, antes de um inevitável "ataque de represália" caso a Ucrânia perturbe a comemoração do Dia da Vitória — um dos principais feriados russos que comemora, em 9 de maio, a derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. Em uma nota dirigida ao corpo diplomático de Kiev, o Kremlin advertiu que lançaria "ataques de represália" contra a capital ucraniana, "incluindo os centros de decisão", no caso de ataques durante as comemorações do próximo sábado em Moscou. O governo russo não especificou a natureza da ameaça que pesa sobre essa comemoração, e a Ucrânia não reagiu imediatamente à divulgação dessa nota.

A Rússia celebra todos os anos o Dia da Vitória com um grande desfile na Praça Vermelha, na capital russa. Nesse contexto, o presidente Vladimir Putin decretou, na segunda-feira, um cessar-fogo unilateral para os dias 8 e 9 de maio. Em resposta, a Ucrânia anunciou a sua própria trégua temporária, que começaria a partir de 0h00 de quarta-feira, 6 — sobre a qual Moscou não se pronunciou.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já acusou a Rússia de desrespeitar a suspensão das hostilidades. Segundo ele, até a madrugada de quarta-feira, o Exército russo cometeu 1. 820 violações do cessar-fogo com "bombardeios, tentativas de assalto, ataques aéreos e uso de drones".

O chanceler Andrii Sybiha comunicou que 108 drones e três mísseis foram disparados, sobretudo contra Kharkiv e Zaporizhzhia, no nordeste e no sul do país. "É evidente para qualquer pessoa razoável que uma guerra em larga escala e o assassinato diário de pessoas constituem um péssimo momento para 'celebrações' públicas", avaliou Zelensky, ao lembrar que a Ucrânia responderia com reciprocidade às ações militares russas. Na região de Sumy, no norte, uma mulher morreu por causa de um drone russo, e outro ataque contra uma creche matou a cuidadora e feriu duas pessoas, segundo o governador regional Oleg Grigorov, que precisou que nenhuma criança estava no prédio.

Por sua vez, a Rússia declarou ter derrubado 347 drones ucranianos entre quarta-feira e quinta-feira sobre seu território. Ataques da Ucrânia contra edifícios residenciais deixaram 13 feridos nesta quinta-feira na cidade fronteiriça russa de Bryansk, segundo o governador regional. Um oficial ucraniano na linha de frente afirmou à agência de notícias AFP, sob anonimato, que os combates não cessaram em Kramatorsk, cidade controlada por Kiev na região de Donetsk.

"O inimigo não aceitou as condições do cessar-fogo. Portanto, de acordo com a ordem do presidente ucraniano, nossa unidade respondeu da mesma maneira", indicou. Outro militar disse à AFP que a noite "foi mais tranquila do que o habitual na linha de frente", mas "a intensidade das operações de combate continua".

"O inimigo não respeita o cessar-fogo. A resposta das forças armadas ucranianas continua a mesma: olho por olho, dente por dente", declarou. A ameaça de incursões de drones ucranianos levou Moscou a reduzir consideravelmente o alcance das comemorações de 9 de maio.

Assim, o desfile na Praça Vermelha ocorrerá sem equipamento militar, pela primeira vez em quase 20 anos. A Ucrânia pede há muito tempo uma trégua prolongada na linha de frente para facilitar as negociações e chegar a um acordo que ponha fim à guerra, desencadeada pela invasão russa de fevereiro de 2022, o conflito mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Por ora, só houve pausas temporárias no conflito.

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