A Falta de Testes em Purificadores de Ar é Alarmante
Uma nova pesquisa destaca a impressionante ausência de testes em condições reais para tecnologias de purificação do ar, criadas para combater infecções transmitidas pelo ar. O estudo, coautorado por Amiran Baduashvili e Lisa Bero, foi publicado na revista Annals of Internal Medicine e revisou quase 700 pesquisas sobre a eficácia desses dispositivos.
A Importância da Qualidade do Ar Interior
Com a disseminação de vírus respiratórios, como covid-19 e influenza, a qualidade do ar em ambientes fechados se tornou um tópico crucial. Tecnologias como filtros HEPA e luzes ultravioletas são projetadas para purificar o ar e impedir a propagação de patógenos. A revisão identificou e analisou 672 estudos publicados entre as décadas de 1920 e 2023, revelando que apenas 8% avaliavam a eficácia na redução de infecções em humanos, enquanto mais de 90% testavam os dispositivos em espaços desocupados.
Disparidades nos Estudos de Eficácia
A pesquisa mostrou grandes variações entre diferentes tecnologias. Por exemplo, embora 44 estudos tenham investigado processos de oxidação fotocatalítica para eliminar microrganismos, apenas um testou sua eficácia em humanos. Além disso, 35 estudos sobre tecnologias baseadas em plasma não incluíram participantes humanos. A pesquisa também descobriu que 43 estudos sobre filtros com nanomateriais não realizaram testes em humanos.
Consequências das Falhas de Testes
O impacto do covid-19 ressaltou a gravidade das infecções aéreas, que têm consequências devastadoras. Melhorar a qualidade do ar interior pode ter benefícios significativos para a saúde pública e pode minimizar os danos econômicos em futuras pandemias. No entanto, muitas reivindicações feitas por empresas sobre a eficácia de purificadores de ar não são respaldadas por evidências sólidas. A ausência de dados de estudos em humanos torna difícil determinar se os produtos que se apresentam como eficazes realmente cumprem suas promessas, o que deve ser motivo de cautela para os consumidores.
Riscos de Produtos Químicos em Purificadores
Alguns purificadores utilizam substâncias químicas, como ozônio e formaldeído, com potencial de prejudicar a saúde ao serem inalados. Dos 112 estudos que examinaram tecnologias para eliminar patógenos, apenas 14 testaram os subprodutos potencialmente nocivos. Ao contrário do que ocorre na pesquisa farmacêutica, onde a avaliação de segurança é prática comum, esse cuidado está faltando na pesquisa sobre purificadores de ar.
O Que Falta Saber Sobre Os Purificadores
Embora mais de 90% dos estudos tenham focado em medições do ar para avaliar a eficácia, ainda não está claro como esses dados refletem a diminuição real de infecções. Para identificar as opções mais seguras e eficazes, será necessário testar as tecnologias para subprodutos tóxicos e avaliar sua eficácia em ambientes reais com a presença de pessoas. Além disso, a padronização na medição de eficácia e efeitos potenciais ajudará a informar decisões baseadas em evidências sobre a melhoria da qualidade do ar em diversos ambientes.
“Identificar as opções mais seguras e eficazes requer uma avaliação abrangente em condições reais.” - Amiran Baduashvili
Este artigo é republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. Para ler o artigo original, visite o site oficial.