Em uma reviravolta significativa, o Commonwealth Bank of Australia (CBA) anunciou a reversão da demissão de 45 funcionários do setor de atendimento, que estavam sendo substituídos por uma nova inteligência artificial. A decisão, confirmada por um porta-voz da instituição na última quinta-feira, foi motivada por uma forte pressão do Sindicato do Setor Financeiro (FSU), que havia acionado o tribunal de relações trabalhistas australiano para contestar os cortes.
A instituição, a maior do país, reconheceu que a avaliação que justificou as demissões foi falha. O banco admitiu que “não levou em conta adequadamente todas as considerações comerciais relevantes” e pediu desculpas aos colaboradores afetados. Os profissionais demitidos agora têm três opções: permanecer em suas funções atuais, buscar uma realocação interna ou optar pelo desligamento voluntário.
A ação sindical foi impulsionada pela suposta falta de transparência do banco nas justificativas para os cortes de pessoal. O CBA havia comunicado que a nova tecnologia estaria reduzindo as chamadas recebidas em cerca de 2.000 por semana. Contudo, segundo o sindicato, o volume de ligações cresceu, levando a instituição a oferecer horas extras para atender a demanda, contradizendo assim a necessidade de demissões.
O debate sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho, especialmente no setor bancário, foi ressaltado por esse episódio. Em agosto de 2025, um relatório da Bloomberg Intelligence já projetava que até 200.000 empregos poderiam ser eliminados globalmente nos próximos anos devido à automação de tarefas, levantando preocupações sobre a segurança no trabalho.
No Brasil, o cenário é similar, com bancos adotando tecnologias de IA para digitalizar serviços e otimizar o atendimento, sem que tenha havido, até o momento, demissões em larga escala. As instituições financeiras brasileiras afirmam que a utilização de chatbots e algoritmos visa aumentar a eficiência e liberar os colaboradores para funções mais complexas. No entanto, sindicatos no Brasil também estão atentos ao potencial impacto sobre os empregos.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) defende que a tecnologia gera novas oportunidades e que o setor tem investido em capacitação para colaborar com essa transição. A situação vivida pelo Commonwealth Bank of Australia destaca a necessidade de um equilíbrio cuidadoso entre inovação e a preservação de empregos em um mundo cada vez mais digital.