Mais da metade da Europa e da bacia do Mediterrâneo atravessa uma seca recorde, com 51,3% dos solos afetados entre 1 e 10 de agosto, conforme o Observatório Europeu da Seca. As condições climáticas extremas provocaram sérios incêndios florestais em países como Espanha, Itália e Portugal.
Desde o início de agosto, a seca continua a impactar consideravelmente a região, alcançando níveis sem precedentes para este período, de acordo com análise da Agência France-Presse, baseada nos dados mais recentes do EDO. Este é o maior índice registrado desde o início das observações, em 2012.
A onda de calor que atinge a Espanha pode ter causado a morte de mais de 1.100 pessoas, revelam estudos. Desde abril, cerca de metade da área está sob o efeito dessa seca, situação que supera a gravidade da seca observada no verão de 2022. O indicador de seca do programa europeu Copernicus, que se baseia em observações por satélite, classifica a seca em três níveis: vigilância, aviso e alerta.
No início de agosto, 7,8% da Europa e da área do Mediterrâneo enfrentou um estado de alerta, o nível mais crítico, enquanto 38,7% encontravam-se em alerta e 4,9% em vigilância. O Cáucaso e o norte dos Bálcãs são as regiões mais severamente afetadas.
O norte do continente apresenta uma seca histórica, enquanto o sul vem sofrendo com chuvas que são o dobro do normal. Embora Espanha, Portugal e Itália tenham enfrentado incêndios devastadores no início deste mês, a seca lá se faz sentir de forma mais localizada. Por outro lado, o Reino Unido (69,5%) e a França (63%) têm uma grande parte dos seus territórios atingidos, como aponta o EDO.
Os incêndios, que se espalham em decorrência da seca, já consumiram mais de um milhão de hectares na UE em 2025, superando o recorde de um ano inteiro em apenas oito meses, segundo cálculos a partir das estimativas do Effis, o sistema europeu de informações sobre incêndios florestais.