O Federal Reserve, banco central americano, está prestes a anunciar uma redução nas taxas de juros, o que poderá impactar diretamente o Brasil e outros mercados globais. A decisão acontece em meio a um shutdown nos EUA, o que torna o cenário econômico ainda mais incerto.
A expectativa de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para a faixa entre 3,75% e 4%, já elevou o Ibovespa a níveis recordes, superando os 147 mil pontos. Essa movimentação também teve reflexos nas Bolsas de Nova York, que atingiram patamares históricos.
Esse corte na taxa de juros nos EUA é aguardado com grande expectativa, pois, segundo analistas, pode tornar o Brasil mais atraente para investimentos internacionais. Com juros mais baixos, as operações de carry trade se tornam mais viáveis, podendo provocar uma valorização do real e apoiar a redução do dólar abaixo de R$ 5,30.
Caique Stein, sócio da Blue3 Investimentos, compara a situação atual a "dirigir um carro de olhos vendados", afirmando que a incerteza em relação aos dados econômicos, como inflação e desemprego, agrega volatilidade ao câmbio, que permanece em torno dos R$ 5,40.
Andrew Hollenhorst, analista do Citi, também aponta que a falta de dados econômicos sólidos dificulta a formulação de políticas pelo Fed. Ele indica que isso deve ser enfatizado pelo presidente Jerome Powell em sua coletiva de imprensa seguinte ao anúncio.
Enquanto isso, a condução da política monetária nos EUA é diferente da brasileira. No Brasil, a meta de inflação é de 3%, enquanto o Fed tem a tarefa de equilibrar a inflação com o emprego. Recentemente, o emprego nos EUA tem mostrado sinais de fraqueza, mesmo com a inflação acima do desejado, o que preocupa os investidores.
Além disso, é importante considerar o processo de quantitative tightening que o Fed deve discutir, revisando a quantidade de ativos acumulados durante as políticas de ações quantitativas anteriores que visavam aumentar a liquidez no mercado durante a crise de 2008. Essa reavaliação pode ter impactos significativos nas reservas bancárias e na liquidez financeira global.
Com a flexibilização dos juros nos EUA, o capital global começa a buscar retornos em mercados emergentes, incluindo o Brasil. O ambiente econômico atual, com a Selic a 15%, torna operações de carry trade cada vez mais atrativas, conforme descrito por Stein, onde investidores pegam empréstimos em moedas com juros baixos para aplicar em mercados que oferecem melhores retornos.
Em resumo, a decisão do Federal Reserve sobre a taxa de juros tem repercussões que vão além das fronteiras dos EUA, impactando diretamente a economia brasileira e a atratividade para investidores internacionais.