Junts pede perdão a empresários catalães por maltrato histórico
O partido Junts per Catalunya enfrenta uma pressão política crescente, especialmente em um cenário onde as pesquisas apontam para o fortalecimento da extrema direita, representada pela Aliança Catalana. Esse movimento político se aproxima do partido liderado por Carles Puigdemont, criando uma nova dinâmica nas próximas eleições.
Recentemente, o líder do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, visitou a patronal catalana Foment del Treball, onde fez um apelo direto aos empresários catalães. Ele solicitou que eles convençam o Junts a apoiar a derrubada do governo da coalizão. Em resposta, o secretário-geral do Junts, Jordi Turull, afirmou: “Ele tem a audácia de vir à Catalunha pedir ajuda aos empresários. A esses empresários, ele não deveria pedir ajuda, mas perdão, pelo maltrato sistemático que sofreram durante os anos em que estiveram no governo”.
Durante uma reunião do Consell Nacional do Junts, Turull reforçou a importância de resistir a pressões externas e internas. O partido vê uma migração de votos do seu eleitorado para a Aliança Catalana e deve se posicionar firmemente no Congresso, especialmente após romper o pacto de investidura com os socialistas.
“Após vários avisos ao PSOE, consideramos finalizado o acordo”, afirmou Turull, enfatizando a necessidade de o Junts ser uma alternativa viável ao governo socialista de Salvador Illa, sem se deixar levar por pressões externas ou por uma suposta necessidade de alinhamento com o PP ou Vox.
Como alternativa ao governo socialista, a possibilidade de apoiar uma moção de censura foi descartada por Turull. Ele ressaltou que antes de propor suporte a uma moção, Feijóo deve primeiro pedir desculpas aos empresários catalães, apresentando várias razões, como as boicotes contra produtos e a língua catalã e a falta de investimentos em infraestrutura que caracterizaram os governos do PP.
A expectativa dos empresários catalães está voltada para a criação de um ambiente político estável e previsível. O presidente da Foment del Treball, Josep Sánchez Llibre, foi um dos primeiros a se reunir com Puigdemont após a ruptura com o PSOE, destacando a busca por continuar com um diálogo construtivo.
Turull também se manifestou sobre a Aliança Catalana, a qual evitou nomear diretamente, caracterizando-a como “populismo descarnado que oferece soluções fáceis para problemas profundos”. Ele alerta que a Catalunha não pode cair em propostas baseadas no medo e na divisão. Segundo ele, o Junts foi criado para construir um futuro e não para dividir ou fomentar o ódio.
Em meio a desafios e pressões, Turull prev conseguiu transmitir uma mensagem de otimismo. Ele afirmou que mesmo que as pesquisas indiquem uma possível redução no número de deputados, a história da política catalã demonstrou que resultados futuros podem ser muito diferentes das previsões atuais.
Na convocação nacional do partido, aprovaram um novo regulamento para a escolha de candidatos nas eleições municipais de 2027, o qual permitirá uma participação mais ampla na seleção dos candidatos, incluindo não filiados ao partido, aumentando a diversidade de opções para a liderança local.
A vice-presidente do governo, Yolanda Díaz, também comentou sobre a situação política, considerando como grave o pedido de Feijóo aos empresários catalães. Essa dinâmica de pressões políticas reflete a complexidade do cenário em que o Junts per Catalunya se encontra atualmente.