Sobrevivente de bombardeio de Trump desabafa: melhor ter morrido
Jonhatan Obando, um colombiano de 33 anos, sobreviveu a um dos ataques aéreos promovidos pelos Estados Unidos no Caribe, destinado a combater o narcotráfico. Este incidente, parte de uma série de 41 bombardeios, ocorreu em 16 de outubro de 2025, e deixou marcas profundas tanto em Obando quanto em sua família, que ainda tenta compreender essa tragédia.
Após ser atingido, Jonhatan foi encontrado em coma induzido no aeroporto de Bogotá. Segundo seu pai, Rosendo Obando, a cena era desoladora. "Lo deixaram aí botado, quase morto no aeroporto. Nem sequer podia falar", relembra o pai. O jovem, conhecido por todos como Chiquitín, tornou-se um dos apenas dois sobreviventes documentados desse ataque.
A situação é ainda mais trágica quando se considera que o outro sobrevivente, Andrés Fernando Tufiño, tinha um histórico penoso ligado ao narcotráfico, o que levanta questões sobre a eficácia e a ética das ações militares dos EUA. Enquanto Obando não tinha antecedentes criminais, a execução extrajudicial sob a justificativa de combate ao narcotráfico levanta uma série de dilemas legais e morais.
Rosendo, que dirige uma pequena escola em Tumaco, partiu imediatamente para buscar seu filho assim que recebeu a notícia do ataque. O percurso até a capital foi cansativo e cheio de incertezas. Ao chegar, ele encontrou um Jonhatan em estado crítico, apresentando sinais de traumatismo cerebral e sem receber os cuidados médicos adequados.
"Pedi explicações de por que não lhe tinham dado os primeiros socorros como devem fazer, pois é um ser humano", desabafa Rosendo. A lógica que envolve o combate ao narcotráfico e os ataques aéreos utilizados exemplificam as contradições da atual política dos EUA, que parece se basear na eliminação de possíveis criminosos em vez de levar a justiça às vítimas.
Após dias no hospital, Jonhatan finalmente começou a se recuperar, mas não sem cicatrizes permanentes. Com problemas auditivos severos devido ao impacto das explosões, ele enfrentou desafios psicológicos profundos. Em um desabafo angustiante, o sobrevivente chegou a dizer ao pai: "Papi, para isso melhor haberse muerto". A pressão psicológica causada pela experiência traumática do ataque e a contínua luta pela sobrevivência são inegáveis.
A vida no litoral colombiano é marcada por dificuldades. A comunidade de pescadores, onde a conversa frequentemente gira em torno dos ataques aéreos, vive sob a constante sombra do narcotráfico e da presença de grupos armados. Em tempos de crise, muitos cidadãos se veem forçados a escolher entre a sobrevivência e suas consciências morais, contribuindo para um ciclo de complicações que afeta suas vidas e famílias.