Cuba encerra caso de Alejandro Gil com condenação severa
No dia 9 de dezembro de 2025, em um desdobramento que chacoalhou o cenário político cubano, o ex-ministro da Economia Alejandro Gil Fernández foi condenado à prisão perpétua e a 20 anos de encarceramento por diversos delitos, entre eles a traição à pátria. Gil, que foi uma figura proeminente da administração de Miguel Díaz-Canel até 2024, teve sua condenação divulgada pelo Tribunal Supremo Popular de Cuba.
A condenação de Gil, amplamente esperada pela população cubana, marca o final de um processo político e judicial que começou com sua demissão súbita em fevereiro de 2024. Desde então, muitos cubanos clamavam por mais transparência sobre o caso, uma exigência que até o momento não foi atendida pelo governo, que se limitou a descrever Gil como um "chivo expiatório" em meio a uma das maiores crises econômicas que a ilha já enfrentou.
A decisão do tribunal ressalta que Gil enganou a liderança do país e o povo que o apoiava, causando danos à economia nacional. A atuação do ex-ministro foi considerada altamente lesiva e, segundo o comunicado oficial, ele praticou atos de espionagem, sustratou e danificou documentos oficiais, além de violar normas de proteção e segurança de informações confidenciais.
A trajetória política de Alejandro Gil
Alejandro Gil ocupou o cargo de ministro da Economia entre 2018 e 2024, sendo considerado um dos principais colaboradores de Miguel Díaz-Canel. Ele liderou a "Tarefa Ordenamento", uma reforma iniciada em 2021 que visava colocar fim à dualidade monetária e estabilizar a economia, mas que resultou em consequências adversas, aprofundando a crise econômica da nação cubana ao invés de solucioná-la.
Os resultados das reformas propostas por Gil geraram um nível de empobrecimento alarmante para o país, que já enfrentava desafios econômico-históricos de décadas. Recentemente, muitos analistas têm questionado a responsabilidade de Gil por esses fracassos, apontando que as decisões econômicas em Cuba são tomadas em níveis muito superiores e requerem aprovação do Conselho de Ministros ou do Buró Político do Partido Comunista.
A repercussão da condenação
A condenação representa não apenas uma resposta às exigências populares por justiça, mas também indica as tensões internas dentro do governo cubano. O ex-ministro já havia sido advertido durante as investigações realizadas pelo Ministério do Interior, indicando que sua culpabilidade nos crimes era compartilhada em um contexto muito mais amplo e político.
De acordo com o comunicado, além da pena de prisão, Gil terá seus bens confiscados e estará proibido de ocupar quaisquer funções que exijam a administração de recursos materiais e financeiros, evidenciando o rigor da resposta do governo cubano à corrupção e à traição em suas fileiras.
Com esta decisão, o governo cubano busca reafirmar sua posição e seu controle sobre um cenário que, segundo muitos especialistas, ainda está longe de se estabilizar, dado o estado crítico da economia local e a insatisfação crescente entre a população.
A situação continua a ser observada com atenção, já que o futuro político e econômico de Cuba permanece incerto em meio às repercussões dessa e outras decisões.”}}]}},{