Operação investiga irregularidades em Londrina
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU), localizada no norte do Paraná, foi alvo de uma operação da Polícia Civil na última quinta-feira (11). A investigação apura supostas irregularidades relacionadas a um contrato de transporte público, um tema delicado em tempos de necessidade de transparência e eficiência nos serviços oferecidos à população.
A CMTU havia contratado a empresa LG Mobilidade Urbana para serviços de consultoria destinados à revisão das tarifas do transporte coletivo municipal, totalizando originalmente R$ 142 mil. No entanto, após o início das investigações, o contrato foi cancelado, e a empresa devolveu aproximadamente R$ 28 mil já pagos.
As investigações começaram quando a prefeitura alertou a CMTU sobre a urgência de contratação desse serviço, o que levou à decisão de realizar a contratação por meio de dispensa de licitação. Contudo, a polícia verificou que essa urgência não estava devidamente justificada e que a concorrência entre as empresas participantes do processo foi questionável.
Conforme relato das autoridades, três empresas de Curitiba apresentaram propostas simultaneamente, com diferenças de preço inferiores a 3%. O fato de as três empresas pertencerem ao mesmo grupo familiar levanta suspeitas sobre a lisura do procedimento licitatório. Para o delegado responsável pela operação, "essa concorrência de cotação de preços não existiu na prática".
Entre os investigados, um funcionário concursado da CMTU é suspeito de ter direcionado a concorrência em favor da LG Mobilidade Urbana. A operação da Polícia Civil incluiu cinco mandados de busca e apreensão, com documentos coletados em três endereços em Curitiba e dois em Londrina, incluindo a sede da CMTU.
Em nota, a CMTU justificou que a escolha por uma licitação emergencial foi motivada por um previsto déficit orçamentário para o sistema de transporte coletivo em 2025, além da falta de controles mais rigorosos nesse setor. A companhia destacou ainda que seguiu recomendações de órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado, para realizar uma auditoria nas planilhas do transporte público, uma medida que não foi adotada nos anos anteriores.
Por sua vez, a LG Mobilidade Urbana negou qualquer ato irregular e afirmou que forneceu todas as informações necessárias. A empresa reiterou seu compromisso com a ética, a transparência e a legalidade, destacando sua reputação no setor de mobilidade urbana.
A empresa também se comprometeu a colaborar com as investigações, afirmando que todas as informações e documentos requisitados serão apresentados às autoridades competentes no momento oportuno. "Nós não temos nada a ocultar e reforçamos que nossos processos seguem estritamente as normas legais", declarou a LG Mobilidade Urbano em sua nota.
A ligação direta entre transporte público e a administração municipal reforça a importância de uma gestão transparente e responsável, que esteja em sintonia com os interesses da população e com os rigorosos padrões legais. Enquanto as investigações prosseguem, a confiança no sistema de transporte de Londrina dependerá da capacidade das instituições em garantir clareza e responsabilidade nas operações realizadas.