Ativistas palestinos presos iniciam greve de fome no Reino Unido
Cinco reclusos no Reino Unido estão em greve de fome há 48 dias, marcando uma das ações mais significativas de resistência desde os protestos do IRA na década de 1980. A pressão sobre o governo britânico, liderado por Keir Starmer, intensifica-se à medida que dezenas de parlamentares exigem que a situação seja tratada urgentemente.
No dia 4 de outubro, protestos em apoio ao grupo Palestine Action levaram à prisão de várias pessoas em Londres. A organização foi recentemente rotulada como terrorista pelo governo, uma decisão que gerou críticas de vários setores, tanto da esquerda quanto da direita política.
O histórico de greves de fome no Reino Unido é sombrio: há 44 anos, o governo britânico tomou uma decisão semelhante ao retirar a “categoria especial” de presos do IRA. Essa ação resultou em uma greve de fome trágica que culminou na morte de Bobby Sands, depois de 66 dias sem alimento, e pôs a então primeira-ministra Margaret Thatcher sob intensa pressão.
Atualmente, cinco dos reclusos em greve de fome, alguns dos quais estão detidos há até 50 dias, fazem parte de um movimento maior. Eles foram detidos pela participação em atos de sabotagem contra interesses israelenses, incluindo ataques à fábrica de armamentos Elbit Systems UK, localizada em Filton, e à base aérea de Brize Norton.
Apesar das crescentes detenções recentes de apoiadores do Palestine Action, que não resultaram em encarceramento, os que estão em prisão atualmente foram detidos antes da mudança na classificação da organização. Isso significa que as acusações enfrentadas por eles não estão diretamente ligadas ao terrorismo.
Os reclusos, cujas idades variam entre 20 e 31 anos, iniciaram suas ações de greve de fome para coincidir com o 108º aniversário da Declaração Balfour, que expressou apoio britânico a um lar nacional para o povo judeu em Palestina, um evento muitas vezes citado como um desencadeador de conflitos na região.
No decurso da greve, os presos exigem cinco demandas fundamentais: liberdade sob fiança, direito a um julgamento justo, fim da censura em suas comunicações, revogação da declaração terrorista contra o Palestine Action, e fechamento da fábrica da Elbit Systems. Em uma mensagem forte, um dos ativistas, Amu Gib, afirmou: "nossa greve de fome é uma declaração de que o Estado não pode deter você, mesmo quando está preso".
A greve de fome tem atraído atenção tanto positiva quanto negativa. A líder do partido Sinn Féin, Mary Lou McDonald, endereçou uma carta ao primeiro-ministro pedindo uma resolução rápida da situação, destacando a importância do direito a um julgamento justo.
No entanto, o governo de Starmer tem mostrado resistência em discutir o assunto, respondendo com um protocolo que alega estar seguindo as normas estabelecidas para gerenciar greves de fome no sistema penitenciário.
Com o colapso do sistema judicial britânico, alguns prisioneiros podem enfrentar longos atrasos em seus julgamentos, alguns sem previsão até 2027. Profissionais de saúde se manifestaram, pedindo que os presos recebam cuidados adequados em um ambiente hospitalar.
A situação dos presos e a greve de fome são um reflexo de um problema mais amplo envolvendo direitos humanos e a resposta do governo britânico a movimentos de ativismo.