Tráfico de Armas dos EUA para o México: Como a Rede Opera em Arizona
Uma acusação envolvendo nove cidadãos americanos evidencia a fragilidade no controle da compra de armamentos nos Estados Unidos, que acaba beneficiando organizações criminosas no México. O caso se agrava ainda mais ao revelar como as redes sociais são utilizadas para facilitar o tráfico de armas.
No mês de dezembro de 2022, uma feira de armas realizada em Phoenix, Arizona, chamou a atenção após uma tentativa de compra de um rifle Barrett M82, uma arma semiautomática de alto poder. Este rifle, notório por sua capacidade devastadora e alcance de até 2,5 quilômetros, representa a crescente demanda por equipamentos militares por grupos criminosos no México.
O que começou como uma venda aparentemente convencional se transformou em uma investigação que ligou a compra de armamentos a uma rede de tráfico mais ampla. Os documentos acessíveis por autoridades destacam como esse tráfico tem favorecido grupos criminosos no México, mas, segundo investigações da Agência de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF), a operação vai muito além de uma única tentativa de compra.
A acusada Ana Camarillo, juntamente com outros envolvidos, foi acusada de atuar como um dos numerosos "compradores fantasma" que usam seus nomes para legalmente adquirir armas para terceiros, em troca de pagamentos que variam de 800 a 1.000 dólares por transação. No entanto, foi a atuação dos irmãos Jorge e Alejandro Corona que se destacou, com acusações de que eles tinham envolvimento direto na compra de armamento que seria contrabandeado para o México.
Problema Estrutural do Tráfico
- Os irmãos Corona recrutavam pessoas através de redes sociais, utilizando perfis falsos para oferecer pagamentos altos por armamentos específicos.
- As compras eram registradas com informações falsas, escapando do sofisticado sistema de verificação de antecedentes dos Estados Unidos.
- Um levantamento indicou que 145 mil armas são contrabandeadas anualmente do EUA para o México, com 400 armas diariamente, ressaltando a seriedade do problema.
A pesquisa detalha ainda que cerca de 50 mil pessoas estão envolvidas em redes que facilitam o tráfego de armamento em todo o território americano. Universidades e especialistas, como Pablo Pérez Ricart do Centro de Pesquisa e Docência Econômicas, destacam que os esforços das autoridades nesse sentido são insuficientes diante da magnitude do problema.
As investigações também mencionaram, com destaque, o papel das armerias, que, apesar de terem permissão para operar, frequentemente não são alvo de restrições, permitindo que transações duvidosas ocorressem sem maiores verificações por parte das autoridades. O envolvimento em ferias de armas, onde armamento de uso civil e militar são disponibilizados, apenas agrava a situação.