Calor extremo no Rio: moradores enfrentam dificuldades diárias
Moradores do Rio de Janeiro têm enfrentado desafios significativos com as altas temperaturas registradas nas últimas semanas. Relatos de desconforto térmico, dificuldade para dormir e até mesmo a necessidade de buscar abrigo em varandas ou telhados têm se tornado comuns. As temperaturas na capital têm alcançado quase 36°C, e a situação tem piorado com a falta de serviços essenciais como abastecimento de água e fornecimento de energia elétrica.
Na busca por conforto em meio ao denso calor, muitos cariocas relatam a necessidade de dormir fora de casa, como é o caso de Marcello Barreto, morador do Méier, que precisou acomodar-se em seu telhado. "Estava muito calor dentro de casa, eu precisava dormir porque tinha que sair cedo, a única forma foi forrar um tapete no terraço e dormir. Por volta de 4h30 a luz voltou, mas foi uma noite mal dormida", comenta Marcello, enfatizando a dificuldade enfrentada durante as noites de calor intenso.
A escassez de energia tem sido um problema recurrente, afetando pelo menos 12 bairros durante a noite do dia mais quente do ano até então. Além da falta de luz, muitos bairros enfrentam a falta d'água, o que tem agravado a situação. Em Santa Cruz, por exemplo, moradores relataram que estão há cinco dias sem água, dando conta de que têm recorrido a caminhões-pipa e à compra de galões para suprir suas necessidades.
A situação se torna insustentável: na Zona Oeste, um morador que preferiu não se identificar afirmou estar se virando o melhor que pode. "A água só chega de madrugada, quando chega, e durante o dia não temos nada. Estamos obrigados a acordar de madrugada para colocar a caixa para encher", lamenta. Essa realidade é compartilhada por vários indivíduos em diversas áreas do Rio, incluindo o Complexo do Alemão, onde o racionamento de água e as quedas de energia se tornaram parte da rotina.
A Rio+Saneamento, ao ser questionada sobre a falta d'água em Santa Cruz, informou que equipes foram enviadas para identificar o problema e regularizar o serviço. Já a Águas do Rio reconheceu que a redução na produção do Sistema Guandu, que afeta o abastecimento na cidade, está contribuindo para as dificuldades enfrentadas pelos moradores.
Apesar das tentativas das concessionárias em solucionar esses problemas, a realidade das comunidades vulneráveis é que os golpes das altas temperaturas, aliados à falta de serviços essenciais, têm tornado as condições de vida cada vez mais difíceis. Muitos estão, portanto, adaptando suas rotinas em busca de alívio no calor intenso.
Medidas de precaução são recomendadas para enfrentar o calor extremo, como a hidratação cuidadosa e a busca por alternativas que garantam um mínimo de conforto em meio ao cenário desafiador. O que se observa, no entanto, é que para muitos cariocas, essas ideias já não são suficientes e a luta por condições dignas e suportáveis se torna cada dia mais evidente.