Crescimento alarmante da população em situação de rua nas capitais brasileiras
Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado um crescimento alarmante da população em situação de rua, com um aumento significativo em diversas capitais do país. Um estudo realizado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua) revelou que a população sem-teto nas capitais aumentou cerca de 11% entre 2024 e 2025, totalizando cerca de 365 mil pessoas.
A pesquisa mostra que, em São Paulo, o crescimento foi de 26 vezes, enquanto no Rio de Janeiro, o aumento atingiu impressionantes 187 vezes em uma década. O Sudeste concentra 61% deste total, o que reflete a necessidade urgente de políticas públicas eficazes para a mitigação desse problema social.
Causas do aumento
De acordo com especialistas, a falta de políticas públicas estruturantes e os efeitos da pandemia de Covid-19 são os principais fatores responsáveis por esse crescimento. O estudo utilizou dados do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), que assegura uma visão mais clara e realista da situação da população em situação de rua no Brasil.
O coordenador do OBPopRua, André Luiz Freitas, salientou que, em 2012, apenas 10% dos municípios brasileiros alimentavam o CadÚnico com informações sobre essa população. Esse número saltou para 60% nos dias de hoje, permitindo uma maior precisão nos dados. "Tem ficado cada vez mais difícil maquiar os dados", afirmou Freitas.
Impacto da precarização e discriminação
O coordenador também destacou que as questões históricas de desigualdade, como a exclusão de acesso a moradia e trabalho para a população negra, ainda persistem, mesmo após anos da abolição da escravização. Isso tem aprofundado os problemas enfrentados por essa população. Além disso, a precarização das condições de vida e as emergências climáticas, como as ocorridas em algumas regiões do Brasil, contribuíram para a intensificação deste cenário.
Cenários regionais
No Sudeste, por exemplo, São Paulo e Rio de Janeiro seguem na frente do ranking de capitais com maior número de pessoas em situação de rua. "A cidade de São Paulo registrou mais de 101 mil pessoas em situação de rua em 2025, uma marca alarmante desde o início da série histórica", comentou Alderon Costa, articulador da Associação Rede Rua.
Enquanto isso, no Rio, 70% da população sem abrigo se concentra na capital fluminense. Em Belo Horizonte, a situação não é diferente, com um número significativo de 15.474 pessoas vivendo nas ruas, cerca de seis vezes mais do que em 2012.
Contribuições adversas e novos desafios
O aumento de egressos do sistema prisional sem assistência adequada, junto com a migração interna e a chegada de imigrantes de países vizinhos, tem agravado a situação. "Muitos vêm em busca de tratamento de saúde ou melhores oportunidades de trabalho e acabam se estabelecendo nas ruas devido à falta de apoio", explicou Samuel Rodrigues, membro da coordenação do Movimento Nacional da População de Rua.
Esses dados ressaltam a necessidade urgente de uma resposta coordenada e eficaz por parte do governo e das instituições sociais para criar mecanismos de suporte que garantam moradia, emprego e acesso a dignidade para esta parcela vulnerável da sociedade.
O cenário é preocupante, e o aumento da população em situação de rua exige atenção e ação imediata por parte do Estado e da sociedade civil para reverter essa triste realidade.