Executivos da Indústria Farmacêutica Reagem a Mudanças em Vacinas
Executivos do setor farmacêutico estão se manifestando sobre o agressivo ataque de Robert F. Kennedy Jr., atual Secretário de Saúde dos Estados Unidos, à vacinação, que está gerando preocupação no ambiente da saúde pública. Durante a recente Conferência de Saúde do J.P. Morgan, realizada em San Francisco, representantes de grandes empresas como Pfizer e Moderna expressaram seu descontentamento com as mudanças propostas na imunização infantil.
O CEO da Pfizer, Albert Bourla, fez declarações contundentes, afirmando: “Estou muito irritado. Estou muito desapontado. Estou seriamente frustrado. O que está acontecendo não tem nenhum mérito científico e serve apenas a uma agenda política e antivacinação.” Essas palavras refletem um ponto de ruptura, já que muitos executivos haviam evitado conflitos durante a administração Trump.
Na semana passada, Kennedy anunciou uma grande revisão no cronograma de vacinas para crianças, reduzindo o número de vacinas recomendadas de 17 para 11. Essa mudança drástica foi feita sem a necessária revisão científica e sem os processos de decisão transparentes que normalmente estariam envolvidos, os quais podem levar meses ou até anos. Apesar de Kennedy afirmar que a nova abordagem alinharia os Estados Unidos com outras nações, uma análise da Stat News revelou que o país se tornou um extremo em comparação, recomendando significativamente menos vacinas do que muitos outros países. Entre 20 países considerados semelhantes, apenas a Dinamarca tem um número tão baixo de recomendações.
Grupos médicos proeminentes, incluindo a Academia Americana de Pediatria, estão se preparando para um desafio legal que visa bloquear essas mudanças. "Hoje podem ser vacinas para crianças ou mRNA, mas amanhã poderá ser tudo", comentou Noubar Afeyan, cofundador e presidente da Moderna. Ele expressou a preocupação de que essa retórica e as mudanças no planejamento de vacinas possam ter repercussões amplas, afetando futuras campanhas de imunização.
Dean Li, presidente dos Laboratórios de Pesquisa da Merck, ressaltou que o discurso antivacinação também está afetando vacinas para gripe. “Com a pressão sobre a vacinação, não consigo prever um aumento nas vacinas contra a gripe nos próximos três anos”, declarou em uma apresentação. Paul Hudson, CEO da Sanofi, compartilhou uma perspectiva semelhante, destacando a necessidade de manter um foco a longo prazo nas vacinas diante da desinformação predominante nas redes sociais e das declarações de líderes governamentais. "Precisamos ser extremamente objetivos e continuar apresentando a evidência", afirmou Hudson.
As preocupações de Bourla se estendem além das decisões políticas. Kennedy, que não tem formação científica nem médica, lucrou com processos contra fabricantes de vacinas, e Bourla alertou que isso poderia criar um ambiente litigioso: “Há um grande potencial para que todos comecem a litigar”, disse ele.
A situação das vacinas continua crítica, especialmente à medida que as campanhas de vacinação se aproximam de um período incerto em meio a crescentes taxas de desconfiança e desinformação. Os executivos farmacêuticos esperam que a situação se stabilize após as próximas eleições, mas a batalha entre saúde pública e política provavelmente se intensificará.