Registrados 250% mais raios em São Paulo no início de 2026
A cidade de São Paulo registrou um aumento surpreendente de 250% na incidência de raios nas duas primeiras semanas de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Este fenômeno está sendo atribuído a uma onda de calor que atinge a região.
Além da incidência de raios, outros fenômenos climáticos severos, como alagamentos e ventos fortes, também se intensificaram, ressaltando os impactos das mudanças climáticas e o efeito do El Niño.
Nos primeiros dias de janeiro de 2026, a capital paulista foi marcada por clarões constantes no céu durante as tardes com chuvas que ocorreram diariamente. Embora os temporais sejam comuns na estação, a quantidade de raios e trovões deste ano está fora do padrão histórico, segundo o levantamento do Laboratório de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Inpe. Durante este período, foram registrados 4.729 raios, contra 1.344 no mesmo intervalo de 2025.
Outro dado alarmante é o aumento nas descargas elétricas observadas nas nuvens, que também cresceram 276%, passando de 3.520 em 2025 para 13.264 em 2026. Essa combinação de fatores climáticos é monitorada de perto por pesquisadores, que já preveem que a temporada de chuvas deste ano seja impactada por essa alta recorrência de raios.
O pesquisador Osmar Pinto Jr. do Inpe, elaborou sobre as condições climáticas e apontou que, embora a ocorrência de raios seja comum no verão, esse aumento acentuado está ligado diretamente às temperaturas recordes verificadas até o momento. Em 25 de dezembro do ano anterior, a cidade registrou a maior temperatura para dezembro já documentada, atingindo os 35,9ºC, superando o recorde anterior de 35,6 °C, registrado em 1998.
A cada ano, as temperaturas em São Paulo têm coexistido acima da marca dos 30ºC, criando um ambiente propenso para a formação de tempestades mais intensas. Em uma pesquisa anterior, discutiu-se que as tempestades severas que afetam a região metropolitana de São Paulo e a cidade do Rio de Janeiro devem aumentar entre 20% a 30% entre 2025 e 2034, com uma tendência associada à crescente carga de raios e ventos fortes.
Os cientistas atribuem a escalada no aumento da incidência de raios e fenômenos extremos ao agravamento das mudanças climáticas e à intensificação do fenômeno do El Niño, que provoca o superaquecimento das águas no Oceano Pacífico. Embora o Brasil seja um dos países com mais ocorrências anuais de chuvas acompanhadas de raios e ventos, São Paulo e Rio de Janeiro não figuram entre as regiões mais afetadas por tempestades severas.
No último mês, fortes temporais têm afetado a cidade, evidenciando a necessidade de atenção redobrada às condições climáticas e suas consequências.