Resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) nesta segunda-feira, 19. Os dados revelaram que 107 cursos de medicina obtiveram conceitos considerados insatisfatórios, referindo-se a notas 1 e 2, com a maioria das instituições afetadas sendo públicas municipais ou privadas sem fins lucrativos.
Com isso, essas instituições enfrentarão punições, incluindo restrição ou suspensão de vagas. Ao todo, 351 cursos de medicina foram avaliados em todo o Brasil. Quase um terço (30%) dos cursos avaliados recebeu notas abaixo do desejado, conforme os critérios do Inep.
Avaliação e Consequências
A prova é aplicada anualmente para medir o desempenho dos estudantes, tanto concluintes quanto aqueles em etapas anteriores de sua formação, com o objetivo de avaliar a qualidade do ensino nas faculdades de medicina. Dos 107 cursos que receberam uma avaliação insatisfatória, 24 foram atribuídos ao conceito 1, a nota mais baixa possível. Essas instituições enfrentarão restrições mais severas, incluindo a proibição de receber novos alunos e a suspensão de participação em programas federais como o Fies e o ProUni.
Além disso, outras 83 instituições passaram a ser avaliadas com o conceito 2. O sistema de avaliação utilizado pelo Inep vai de 1 a 5, sendo que quanto maior a pontuação, melhor a qualidade do curso. Este ano, aproximadamente 89 mil alunos participaram do exame, dos quais 39 mil são concluintes, prestes a se formar e ingressar no mercado de trabalho.
Tendências nas Instituições Avaliadas
Na análise por tipo de instituição, destaca-se que 87% das faculdades de medicina públicas municipais se concentraram nas notas mais baixas. Em contrapartida, 58% das instituições privadas com fins lucrativos também estiveram entre os conceitos 1 e 2. Uma realidade otimista pode ser observada nas universidades públicas federais, onde 87% delas foram avaliadas com conceitos 4 e 5. As universidades públicas estaduais também mostraram performance similar, com 84,7% alcançando as notas mais altas.
Esses resultados indicam uma significativa discrepância na qualidade da formação médica oferecida no Brasil, sublinhando a necessidade de intervenções e ajustes nas instituições que não estão cumprindo os padrões necessários para garantir formação de qualidade aos futuros profissionais de saúde.