Desafios dos Vices na Sucessão Estadual em 2024
Com a saída de governadores impedidos de reeleição, vices enfrentam um cenário desafiador de visibilidade nas redes sociais, enquanto se preparam para candidaturas ao Executivo estadual. Pesquisa da consultoria Bites, realizada a pedido do GLOBO, revela que a maioria desses vices ainda é desconhecida pelo eleitorado, o que pode comprometer suas campanhas.
A comunicação digital se apresenta como uma ferramenta crucial para aumentar a visibilidade desses políticos. Entretanto, as alianças políticas e o histórico dos vices na política influenciam muito mais o sucesso nas eleições do que a popularidade nas redes sociais. Muitas vezes, a posição de número dois não se traduz em apoio significativo nas plataformas digitais.
Um exemplo notável é Celina Leão, vice-governadora do Distrito Federal, que superou o governador Ibaneis Rocha em número de seguidores nas redes sociais. O aumento de sua visibilidade se deve à sua atuação à frente do Palácio Buriti, especialmente nos desdobramentos da crise política de 8 de janeiro. Este cenário evidencia que os vices, em geral, terão que se esforçar para aumentar sua presença digital até as eleições de 2024.
Com dois terços dos governadores impedidos de buscar reeleição, os vices devem se moldar a um novo papel em que governarão interinamente em estados, ampliando suas chances de crescimento político. Entre os governadores que não poderão se reeleger, ao menos 11 já sinalizaram suas intenções de candidaturas ao Senado. Já os nomes que assumem temporariamente podem capitalizar politicamente ao se expor ao eleitorado, o que será essencial para sua imagem pública.
André Eler, diretor-técnico da Bites, ressalta que a saída dos governadores criará um vácuo de liderança nos estados. "A alta taxa de reeleição nos últimos quatro anos fez com que novos nomes emergissem para ocupar essas posições", afirma. No entanto, a ausência de um histórico sólido nas campanhas majoritárias pode dificultar essa ascensão.
No estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, vice-governador em exercício, e Fátima Bezerra, vice-governadora do Rio Grande do Norte, enfrentarão desafios únicos, uma vez que as eleições diretas estão pautadas na escolha do Legislativo devido à falta de vice-governador em sua região.
O cientista político Fábio Vasconcellos, professor da UERJ e PUC-Rio, adverte que o alinhamento político dos vices com candidatos nacionais pode pesar mais nas eleições do que sua popularidade nas mídias sociais. “Um novo governador pode ser influente no político ao estar alinhado com uma candidatura nacional, mesmo que sua presença digital não seja forte”, explica.
Cientista político da UnB, Murilo Medeiros, destaca que os vices herdam a estrutura do governo, mas não exatamente o capital político de seus antecessores. “Embora os vices possam se beneficiar da continuidade governamental durante os meses pré-eleitorais, eles precisam consolidar uma identidade própria para conquistar a confiança do eleitorado.”
Essa dinâmica pode levar a campanhas menos programáticas e mais personalistas, baseadas em laços políticos e apadrinhamento. Portanto, a visibilidade digital torna-se um elemento vital na estratégia de marketing político desses vices que almejam uma maior projeção e sucesso nas eleições de 2024.