Eleições na Costa Rica: O Futuro da Democracia em Jogo
As eleições presidenciais que ocorrem no próximo domingo, 1 de fevereiro, na Costa Rica, representam um momento crucial para o futuro democrático do país. Um cenário polarizado, marcado por incertezas e tensões, coloca em risco a continuidade de um sistema democrático que sempre foi admirado na América Latina. O atual presidente, Rodrigo Chaves, popular e populista, desafia o status quo propondo reformas que visam enfraquecer os mecanismos de controle institucional.
A ex-presidente Laura Chinchilla e o ex-presidente Luis Guillermo Solís têm expressado preocupações sobre a saúde da democracia costarriquenha frente à crescente tentação autoritária representada por Chaves. Segundo Chinchilla, "a democracia está em risco", refletindo uma visão compartilhada que as eleições deste ano são potencialmente as mais decisivas em várias décadas. Solís complementa que o país está vivenciando "uma polarização inédita" que pode afetar os pilares da sociedade civil.
Chaves tem sido criticado por seu estilo de governar que se opõe abertamente a instituições como o Poder Judiciário. O presidente chegou até mesmo a liderar uma marcha em frente ao Poder Judicial, pedindo a renúncia do fiscal geral em meio a várias investigações de corrupção relacionadas ao seu governo. Essa confrontação constante gera um clima de insegurança e desconfiança nas instituições que sustentam a democracia.
A história da Costa Rica, normalmente vista como um exemplo de estabilidade na região, está sendo testada. A segurança pública é um dos principais tópicos em discussão, já que o país enfrentou um aumento alarmante nos índices de homicídios e narcotráfico. Chaves propôs medidas drásticas de segurança, comparáveis ao regime autoritário de El Salvador, mas até agora a resposta do governo tem sido fragmentada.
Para Solís, a gestão de Chaves tem sido insatisfatória, destacando que muitos projetos de infraestrutura foram herdados de administrações anteriores. O ex-presidente também aponta um desinvestimento em políticas sociais cruciais, como educação e segurança alimentar, enquanto a violência aumentava. Para ele, essa situação é resultado direto de uma má gestão e uma retórica populista que responsabiliza governos passados por problemas atuais.
O tom da campanha eleitoral destaca-se pela ausência da candidata oficialista, Laura Fernández. Segundo Chinchilla, Chaves transformou a eleição em um plebiscito sobre sua própria figura, ilustrando o risco de uma concentração de poder. “Eles querem reformar a Constituição, mudar os mecanismos de eleição de magistrados e enfraquecer os órgãos de controle”, adverte Chinchilla, destacando que um eventual governo Chaves poderia resultar em danos irreversíveis para a democracia.
Adicionalmente, a eleição de domingo poderá decidir se a Costa Rica seguirá pela linha autoritária ou retornará a um modelo democrático mais tradicional. A escolha dos eleitores não se limita apenas à escolha de um governo, mas representa uma resposta coletiva à crescente autocratização que se observa em várias partes do mundo.
Um alto nível de aprovação popular para Chaves sugere que o caminho pode levar à preservação do atual governo, enquanto a oposição, composta por diversos partidos, luta para obter votos suficientes para forçar um segundo turno. Solís salienta que a abstenção eleitoral, que pode afetar drasticamente os resultados, é uma preocupação, pois uma significativa quantidade de eleitores descontentes pode favorecer o oficialismo.
O resultado das eleições de 1 de fevereiro não apenas determinará a liderança do país, mas também enviará um sinal forte sobre o futuro da democracia na Costa Rica. A população aguarda com expectativa se o desejo de mudança prevalecerá ou se o autoritarismo se consolidará ainda mais.