Acordo Controverso entre INSS e CBPA
O deputado federal Silas Câmara, líder da bancada evangélica, apoiou um acordo envolvendo o INSS e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade sob investigação por suposta fraude em descontos de aposentadorias. Desde março de 2023, a CBPA recebeu R$ 221 milhões do INSS, o que levantou suspeitas devido ao envolvimento do parlamentar e de sua família com a entidade.
Investigações e Irregularidades
O acordo foi assinado em maio de 2021, ainda durante o governo de Jair Bolsonaro, e trouxe polêmica por conta dos descontos aplicados nos benefícios previdenciários dos associados à CBPA. Com o início das investigações, a Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025, e a CBPA, que contava com 442 mil associados, foi acusada de efetuar descontos sem autorização dos mesmos. A Controladoria-Geral da União (CGU) entrevistou 32 associados e nenhum confirmou ter autorizado tais descontos.
Relações Familiares e Contratos Suspeitos
Documentos enviados à CPI do INSS revelam que empresas de familiares de Silas Câmara receberam R$ 1,8 milhão da CBPA. Entre os contratos destacados, um foi celebrado com a Network Multimídia, que recebeu R$ 30 mil para promover um evento da CBPA. A situação gerou tensão, especialmente após a ex-esposa de Silas, a deputada Antonia Lucia, acusá-lo de irregularidades.
Tensões Políticas entre Líderes Evangélicos
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“Somos contra abrir precedentes que fragilizam a atuação das entidades representativas”, declarou Silas durante discussões sobre a responsabilidade do cadastro do seguro-defeso.
A CPI do INSS, que retoma seus trabalhos, revelou divisões significativas entre líderes evangélicos. A disputa internalizada, incluindo menções a pastores envolvidos em suspeitas de fraudes, provocou cisões no grupo que antes era coeso sob a liderança de Bolsonaro. Personagens como Silas Malafaia e Damares Alves também estão no centro das contendas, revelando um cenário político turbulento.
Impacto nas Comunidades
A CBPA afirma representar os interesses de mais de 1 milhão de pescadores artesanais no país. Contudo, as irregularidades e a falta de transparência nas operações têm gerado descontentamento entre os associados e levantado questões sobre a legitimidade do acordo.
O deputado Silas Câmara não comentou as acusações formalmente, e a CBPA não respondeu aos contatos da imprensa para esclarecer as práticas adotadas na gestão dos recursos. A situação continua a se desdobrar enquanto as investigações prosseguem, trazendo preocupações sobre a eficácia das entidades representativas e a ética na política brasileira.