Redução da Jornada 6x1: Desafios e Oportunidades no Brasil
O presidente da Câmara, Hugo Motta, destacou a necessidade de avaliar como a economia brasileira absorveria a proposta de redução da jornada de trabalho 6x1. Durante um encontro com a Frente Parlamentar do Empreendedorismo, Motta enfatizou que o debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) deve ser conduzido de forma cautelosa, buscando um consenso entre governo, setor produtivo e trabalhadores, especialmente considerando os impactos em segmentos como comércio e serviços públicos.
A declaração ocorreu durante um almoço da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo (FPE), onde os participantes manifestaram preocupações sobre os efeitos da medida. "O que nós temos que entender é como o país vai absorver essa redução de jornada de trabalho. E o país que eu falo é o governo, é o setor produtivo. É entendermos como isso poderá ser viabilizado, para que a partir daí nós tenhamos a condição de avançar numa proposta", afirmou Motta.
A PEC que propõe o fim da escala 6x1 ainda está em discussões iniciais na Câmara, aguardando aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na semana passada, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou de uma audiência no colegiado onde argumentou a favor de que a discussão ocorresse no formato de uma PEC, contrariando a ideia do governo de enviar outro projeto para acelerar a tramitação.
Motta defendeu a importância de debates aprofundados sobre a proposta, mesmo em um ano eleitoral. "Por mais que estejamos em ano de eleição, nós não vamos conduzir esse debate de maneira atropelada ou descompromissada, sem medir as consequências. Até porque isso deve preocupar o próprio governo. Um efeito negativo na economia é ruim para todos nós, especialmente para quem está à frente do Executivo nesse momento", disse ele.
Entre os que expressaram preocupações durante o encontro estava Vander Giordano, executivo da Multiplan e integrante do conselho da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Giordano chamou a atenção para os efeitos potenciais em diferentes setores da economia e questionou a capacidade de adaptação de municípios e empresas a uma possível mudança para jornadas de trabalho menores.
Apesar das dúvidas levantadas, Motta garantiu aos participantes que todos os setores representados deveriam "se sentir satisfeitos pelo formato dado pelo presidente da Câmara para discutir essa matéria". Ele concluiu ressaltando a importância de trazer dados ao debate: "Não é só ficar contra por ficar contra. É necessário que os setores impactados apresentem, em um debate amplo e transparente, os efeitos práticos da decisão de se reduzir a jornada de trabalho".