Pressão pela Segurança: A Bancada da Bala Cobra Tarcísio
Deputados da chamada "bancada da bala" na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) intensificam a pressão sobre o governador Tarcísio de Freitas por mais investimentos na segurança pública do estado. Essa insatisfação foi amplificada após o veto parcial a um importante projeto de lei que beneficiaria os policiais militares na contagem de tempo de serviço para aposentadoria.
A proposta original permitia que os policiais contabilizassem até 10 anos de serviço fora da carreira no setor público, dobrando o limite atual. O veto do governo foi justificado com alegações de que a medida era inadequada às regras federais e que poderia impactar negativamente o orçamento.
Desde a reabertura da Alesp, parlamentares do PL têm se reunido com o presidente da Casa, André do Prado, também do PL, para discutir a possibilidade de derrubar o veto. A frustração é palpável, especialmente após promessas feitas pelo governo durante uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, onde o compromisso de sancionar a lei foi garantido. O deputado estadual Major Mecca (PL) expressou sua indignação:
"O governo não cumpriu o que foi tratado. Isso é uma postura de enorme desrespeito. Não só a mim, parlamentar, mas principalmente aos policiais militares do Estado de São Paulo."
As críticas dirigidas ao governo não se restringem apenas à questão do veto. Parlamentares apontam a falta de reajuste salarial para as forças de segurança pública, a escassez de recursos e a urgência em liberar créditos para um programa de financiamento de moradias a juros subsidiados, que atualmente tem 40 mil policiais na fila. O deputado do PL reforça a necessidade de uma cobrança mais efetiva ao governo, ressaltando:
"Estou acompanhando a falta de uniforme, o cansaço, o estresse físico e psicológico a que os policiais estão sendo submetidos com salário de miséria."
A oposição na Alesp atribui a insatisfação generalizada nas polícias a uma estratégia eleitoral do governador, que está preparando seu retorno à corrida eleitoral e deve enfrentar como principal adversário o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). O deputado Reis (PT) afirmou que a situação atual é um reflexo das promessas feitas durante a campanha anterior, agora não cumpridas, e que a base aliada de Tarcísio precisa lidar com uma insatisfação ainda mais intensa entre militares e funcionários públicos.
Outra questão que tem gerado insatisfação na Assembleia é a demora na regulamentação da Lei Orgânica da Polícia Civil. Após quase um ano de debate sem resultados, o governo formou um novo Grupo de Trabalho (GT) para discutir uma nova proposta. Essa mudança é vista como um desvio das discussões anteriores e exclui representantes da Superintendência da Polícia Técnico-Científica desse novo grupo. Bruno Lazzari, presidente do Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo (Sincresp), destacou que essa exclusão ocorre em um momento crítico:
"Hoje, a Polícia Civil de São Paulo está entre os últimos cinco estados em termos salariais, apesar de ser uma das que mais trabalham."
Em resposta às críticas, o governo paulista declarou que os investimentos na área de segurança aumentaram, com um orçamento que subiu de R$ 15 bilhões em 2022 para R$ 21,4 bilhões em 2023, excluindo gastos com aposentadorias e pensões. A administração também aseguró que tem trabalhado na recomposição dos efetivos e na valorização dos profissionais da segurança pública. No entanto, a insatisfação dos policiais é uma realidade que demanda rápida atenção e ação efetiva por parte do governo.