Enchente no Rio Acre afeta bairros e gera temor em moradores
A recente cheia do Rio Acre em Rio Branco, que ultrapassou os 15 metros, causou estragos em diversos bairros da capital, incluindo áreas como Ayrton Senna, Base, Triângulo e Baixada da Habitasa. Este é o quarto transbordamento registrado em menos de um ano, trazendo à tona a angústia de quem vive nas imediações do manancial.
O transbordamento aconteceu no dia 29 de janeiro, e a situação se agravou rapidamente, afetando aproximadamente 5 mil pessoas conforme informações da Defesa Civil. Segundo o tenente-coronel Cláudio Falcão, coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, quando o rio atinge a marca de 14 metros, as áreas mais vulneráveis começam a sofrer os impactos. Os dez bairros considerados prioritários, que são os primeiros a serem afetados, incluem: Ayrton Senna, Base, Seis de Agosto, Cidade Nova, Cadeia Velha, Baixada da Habitasa, Triângulo, Palheiral, Taquari e Aeroporto Velho.
Historicamente, essas regiões apresentam os maiores riscos nas épocas de cheia. O levantamento feito pela Defesa Civil mostra que, caso o nível do rio supere os 15,5 metros, a situação pode se agravar, alcançando até 68 bairros da cidade. Em um breve histórico, as últimas quatro enchentes em Rio Branco foram registradas em março e dezembro de 2025, e janeiro de 2026, com uma tendência de aumento nas medições dos transbordamentos.
- 10/03/2025: 15,88 metros, afetando 31 mil pessoas.
- 27/12/2025: 15,41 metros, impactando 20 mil pessoas.
- 16/01/2026: 14,71 metros, atingindo 2 mil pessoas.
- 29/01/2026: 15,09 metros, afetando 5 mil pessoas.
A região do bairro Triângulo tem sido palco de relatos de angustia e receio. Moradores como Rosimar Lopes Martins, que cresceu na localidade, expressam um desânimo acentuado com a repetição das enchentes. "Eu nasci, me criei aqui, sempre teve esse problema de água. Essa angústia vem todos os anos [...] já estamos quase acostumados", desabafou.
Outro relato é de Antônia Ferreira Lopes, que já começou a retirar seus móveis de casa: "Agora nessa cheia nós vamos sair, porque do jeito que está enchendo, hoje de manhã estava tudo seco. Medo de dormir por causa de cobra e inseto que podem entrar dentro de casa. Se começar a subir mais, eu vou sair. Vou para a casa da minha filha. Já estou tirando os móveis. A gente acaba gastando o que não tem", comentou.
A Defesa Civil de Rio Branco já está implementando um plano de contingência que prevê a criação de abrigos e ações de resgate e acolhimento. No Parque de Exposições Wildy Viana, 13 famílias estão abrigadas, totalizando 39 pessoas e 14 animais. O espaço pode ser rapidamente expandido para atender um maior número de desalojados.
Atualmente, a Defesa Civil estima que mais de cinco mil pessoas estão afetadas pela enchente na área urbana, enquanto cerca de mil estão impactadas na zona rural. O nível do Rio Acre subiu 50 centímetros em apenas 24 horas, destacando a gravidade da situação.
Pela monitorização oficial, o manancial está acima da cota de atenção desde 11 de janeiro, necessitando de constante vigilância. A oscilação no nível do rio é atribuída ao elevado volume de chuvas. Com um acumulado pluviométrico que já superou a média mensal, Rio Branco enfrenta o desafio contínuo com as cheias exacerbadas, exigindo ainda mais atenção e medidas de emergência.