PSB defende permanência de Alckmin como vice de Lula em São Paulo
O PSB está reforçando sua posição em defesa da permanência de Geraldo Alckmin como vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo diante da possibilidade de uma troca estratégica para fortalecer a campanha nas eleições em São Paulo, que é o maior colégio eleitoral do Brasil. Esta questão ganhou destaque após Lula admitir, pela primeira vez, a possibilidade de alterá-lo para aumentar suas chances na disputa.
Alckmin, que já governou São Paulo por quatro mandatos, tem manifestado aos seus aliados que não pretende se candidatar a nenhum cargo eletivo caso seja removido da chapa de reeleição. A estratégia do PSB é clara: manter a figura de Alckmin na vice-presidência é vista como vital para a construção de uma aliança robusta com o MDB, que é uma prioridade para o PT neste período eleitoral.
Na quarta-feira, durante um evento, Lula falou sobre o palanque eleitoral:
"Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem."
O entorno de Alckmin identifica uma pressão interna dentro do PT para que ele concorra a algum cargo majoritário. No entanto, muitos acreditam que seria mais viável convencer o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a buscar uma vaga no governo paulista do que persuadir Alckmin a desistir da vice-presidência.
A relação entre Lula e Alckmin, que se formou durante a campanha presidencial de 2022, é marcada por uma lealdade ímpar e um diálogo direto, sem intermediários. Apesar da resistência de Alckmin em se candidatar, seus aliados ressaltam que ele está disposto a ouvir as propostas de Lula sobre sua participação no processo eleitoral.
A questão da permanência de Alckmin foi levantada na última quinta-feira, quando Lula comentou sobre a possibilidade de excluí-lo da chapa. Esse movimento ocorre em um contexto em que o PT busca fortalecer seu apoio junto ao MDB para as próximas eleições. Em uma entrevista ao Portal UOL, Lula afirmou que tanto Alckmin quanto Haddad, ou até mesmo a ministra do Planejamento, Simone Tebet, têm potencial para serem candidatos em São Paulo.
No PSB, a manutenção da vice-presidência por Alckmin é vista como uma posição não apenas relevante, mas também estratégica para as próximas eleições, impactando diretamente na governança pós-Lula. A sigla acredita que a presença de Alckmin permitirá uma maior influência em futuras negociações.
Um encontro entre Lula e João Campos, presidente nacional do PSB, está agendado para o próximo fim de semana em Salvador. Aliados de Campos indicam que ele irá ouvir atentamente Alckmin antes de definir sua estratégia. A expectativa é de que Campos defenda a manutenção de Alckmin na chapa à Lula durante as conversas.
Cabe destacar que, para a cúpula do PT, Haddad continua sendo a principal aposta do partido para o governo de São Paulo. Aliados próximos a Lula relataram que o presidente menciona Alckmin para não deixar Haddad sozinho frente às pressões que está enfrentando de membros do governo. Nos últimos dias, figuras proeminentes do PT como Camilo Santana, Gleisi Hoffmann e Simone Tebet apoiaram a candidatura de Haddad.
José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e figura histórica do PT, também se manifestou em favor da candidatura de Haddad e do papel continuado de Alckmin na vice-presidência, afirmando que a aliança entre Lula e Alckmin representa um pacto com a sociedade brasileira.
Aliados de Lula acreditam que Alckmin tende a permanecer onde está, a menos que surjam mudanças significativas no cenário político nacional que justifiquem uma troca. Alguns petistas sugerem que Alckmin poderia desempenhar um papel central como coordenador da campanha em São Paulo, garantindo um forte palanque para Lula, mesmo sem concorrer a cargos.
Atualmente, Alckmin ocupa a vice-presidência e o ministério da Indústria e Comércio, onde sua atuação é considerada vital, tendo cultivado boas relações com a comunidade empresarial e outros líderes políticos. Ele também teve um papel crucial na negociação da crise relacionada às tarifas americanas.
O cenário político em São Paulo se transformou desde sua saída do governo estadual em 2018, com o PSDB perdendo força, e a crescente proximidade do interior paulista com correntes políticas conservadoras, como o bolsonarismo. A pressão para que o PT escolha um nome forte para a disputa paulista é reflexo da relevância de São Paulo nas eleições presidenciais, independentemente da pretensão de governar o estado, que historicamente tem se mostrado desafiador para o partido. Tarcísio de Freitas, atual governador e candidato à reeleição pelo Republicanos, é apontado como favorito para as próximas eleições, levando o PT a buscar garantir uma base sólida para apoiar Lula durante a campanha.