Resistência de Nikolas Ferreira complica sucessão de Zema em MG
A disputa pela sucessão do governador Romeu Zema em Minas Gerais tem enfrentado impasses, especialmente com as movimentações do senador Flávio Bolsonaro (PL). Ele pretende lançar o deputado federal Nikolas Ferreira como candidato ao cargo, mas o parlamentar tem demonstrado resistência a essa proposta, optando por buscar a reeleição na Câmara dos Deputados.
O vice-governador Mateus Simões (PSD) é quem está se preparando para a sucessão estadual. Ele já indicou que quer reservar uma vaga ao Senado para o PL, como parte de um acordo com Bolsonaro. Entretanto, a possibilidade de Nikolas Ferreira entrar na disputa complicaria os planos de Simões, que almeja se tornar o candidato mais forte da direita em Minas Gerais.
Flávio Bolsonaro, na tentativa de fortalecer o palanque do PL no estado, tem pressionado Nikolas a considerar a candidatura ao governo. No entanto, o deputado tem sido claro ao afirmar que essa não é sua intenção. Em entrevista ao podcast Café com Ferri, ele reafirmou seu foco na reeleição e alegou que uma candidatura ao governo seria um "prato cheio para a esquerda". Nikolas enfatizou a importância de construir uma base sólida de apoio antes de qualquer campanha.
— Não vou ser candidato a governador. Descartei essa possibilidade. Qualquer pessoa que estivesse no meu lugar, pensando só em eleições, iria. Mas não estou pensando só em eleição. Para encarar isso, não basta só competência, tem que criar uma base de secretários, deputados estaduais, prefeitos, vereadores — declarou.
O cenário se torna ainda mais complexo quando consideramos o apoio do PL aos planos de Simões. Muitas pessoas ligadas ao vice-governador estão preocupadas com a possibilidade de Nikolas Ferreira entrar na disputa, o que poderia fragilizar a candidatura de Simões e dispersar os votos da direita.
Além disso, há discussões sobre a composição das chapas para as eleições de 2026. Simões está buscando garantir que há espaço para o PL ocupar uma vaga no Senado, um ponto importante para o partido no estado. Entre as opções para essa candidatura ao Senado, estão nomes como Domingos Sávio, atual presidente do diretório estadual do PL, e o pastor Edésio de Oliveira, pai de Nikolas.
Simões mencionou sua conversa com o presidente Jair Bolsonaro sobre o assunto, destacando que a posição para uma candidatura ao Senado estava em aberto desde aquele diálogo. O vice-governador está ciente da importância de atrair o PL para fortalecer sua chapa.
Quanto à escolha do vice, que antes parecia ser uma oportunidade para o PL, está agora nas mãos de Zema, pré-candidato à Presidência. Ele deverá indicar um nome do Novo, com potenciais candidatos incluindo a vereadora de Belo Horizonte, Fernanda Altoé, e o ex-deputado Tiago Mitraud.