Decisão judicial encerra atividades da Vale em Ouro Preto por risco ambiental
A Justiça de Minas Gerais suspendeu as operações da mineradora Vale em Ouro Preto, citando sérios riscos ambientais após o vazamento de água e sedimentos na mina Cava Área 18. Essa decisão, que deve durar até que a empresa comprove a segurança de suas estruturas, foi bem recebida por ambientalistas e especialistas que alertam para o potencial de devastação da região.
A interdição atende a um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e do governo do estado, que argumentavam na ação civil pública sobre os riscos que a mina representa, dada sua localização entre duas bacias hidrográficas - Paraopeba e Rio das Velhas - e a presença de barragens vulneráveis. Daniela Campolina, coordenadora do Observatório de Barragens de Mineração (OBaM), articulou que a estrutura do Complexo de Fábrica levanta preocupações devido à proximidade com áreas de captação de água para cerca de 2,5 milhões de pessoas na região metropolitana de Belo Horizonte.
“O potencial de devastação é enorme”, afirma Campolina, ressaltando que a situação é crítica devido ao acúmulo de riscos relacionados à geografia e à infraestrutura da mineração.
Os problemas foram exacerbados pelo colapso da estrutura, que resultou em um extravasamento significativo de água e sedimentos. Parte da ação judicial menciona que cerca de 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos atingiram áreas operacionais e cursos d’água importantes. Além disso, segundo o MPMG, a Vale notificou os órgãos competentes sobre o desastre mais de dez horas após seu ocorrido, prejudicando a resposta emergencial.
Em nota oficial, a Vale afirmou que suspendeu suas operações imediatamente após o incidente, garantindo que as barragens monitoradas na região estariam seguras. A mineradora também reforçou seu compromisso de cooperação com as autoridades para esclarecer a situação e atender às demandas necessárias para a contenção de danos.
A juíza Monica Silveira Vieira, responsável pela decisão, enfatizou a importância da precaução em questões de segurança, lembrando os trágicos desastres de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019, que deixaram marcas profundas na sociedade e no meio ambiente da região. Ela alertou que, de acordo com os documentos apresentados, havia evidências suficientes que justificavam a paralisação imediata das atividades na mina.
Além disso, o recente caso envolvendo a Vale vai além das questões operacionais, pois também interage com a legislação e a política sobre segurança ambiental. O STF, por exemplo, está atualmente revendo a multa de R$ 86,2 milhões imposta à Vale pela CGU relacionada à tragédia de Brumadinho. O ministro Kassio Nunes Marques foi o primeiro a votar em favor da anulação da multa, argumentando que a interpretação da Lei Anticorrupção deve ser restritiva, o que poderá ter implicações significativas para futuras ações e regulamentos contra a empresa.