Anders Fogh Rasmussen alerta sobre segurança na Europa
Anders Fogh Rasmussen, ex-primeiro-ministro da Dinamarca e ex-secretário-geral da OTAN, fez uma declaração contundente sobre a necessidade de que a Europa se prepare para possíveis desafios de segurança, especialmente em relação à Rússia. Durante uma conferência em Kiev, ele enfatizou que o continente está em um "estado de emergência de segurança" e é crucial acelerar a autonomia da Europa em relação aos Estados Unidos.
Rasmussen, que ocupou o cargo de secretário-geral da OTAN de 2009 a 2024, expressou preocupação com as incertezas nas relações transatlânticas, especialmente em face da retórica do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Ele comentou: "Rússia poderia atacar a Europa antes mesmo do fim desta década". Essa declaração foi feita em um contexto onde a segurança europeia é uma preocupação crescente, especialmente após os eventos da invasão da Ucrânia.
Em sua recente visita a Washington, na véspera da Conferência de Segurança de Munique, Rasmussen foi abordado por um grupo de jornalistas sobre o cenário atual. Ele mencionou que a Europa não reagiu adequadamente a sinais de alerta anteriores, como a anexação da Crimeia em 2014. "Não nos despertamos nem com a primeira alarme, a invasão da Crimeia, nem com a segunda, o início da guerra na Ucrânia nesta década", disse ele.
A pressão para que os países europeus assumam um papel mais independente e proativo em sua defesa tem crescido. "As fábricas de automóveis devem aproveitar sua capacidade excessiva para produzir armamento", declarou. Ele argumentou que, frente à possibilidade de um ataque, economias da Europa devem estar preparadas para uma mobilização rápida.
Em um ponto crucial da entrevista, Rasmussen afirmou: "Nossos serviços de inteligência indicam que Putin pode atacar um país da OTAN até o final desta década". Esta declaração baseou-se em uma simulação militar recente, na qual uma invasão da Lituânia foi considerada um possível cenário. Essa simulação trouxe à tona a urgência do reforço militar na região e a necessidade de que a Europa se torne mais autossuficiente.
Além disso, ele mencionou que a transferência do controle de centros de comando da OTAN dos Estados Unidos para a Europa é um passo positivo em direção à autonomia europeia. "Os europeus precisam assumir mais responsabilidades", disse. Contudo, a capacidade de equipamento e produção do continente é uma preocupação central. "Precisamos acelerar nossa capacidade de produção do material militar estratégico", ressaltou.
Rasmussen também enfatizou que a indústria automobilística pode desempenhar um papel fundamental na produção de armamento. "Em vez de fabricar carros para os quais não há demanda, as empresas deveriam colocar essa capacidade a serviço da indústria militar", afirmou, reforçando que essa transição não deve ser comparada a regimes totalitários do passado.