Governos acumulam commodities e geram oscilações de preços
A recente alta nos preços do ouro reflete a estratégia dos bancos centrais de diversificarem suas reservas em meio a tensões geopolíticas. Contudo, essa valorização do metal precioso não é um fenômeno isolado. De acordo com análises publicadas pela Goldman Sachs, essa é parte de uma mudança mais ampla na forma como governos e investidores estão avaliando as commodities.
Nos últimos anos, a compra pela parte dos bancos centrais tem contribuído significativamente para a alta do ouro, à medida que as nações buscam se proteger contra riscos financeiros e geopolíticos. Além do ouro, estratégias semelhantes começaram a surgir em outros mercados de commodities, como indicam os analistas da Goldman Sachs em um relatório recente.
Transição para sistemas regionais
Os analistas afirmam que, "à medida que algumas dessas políticas de gestão de risco começaram a ser implementadas, vários mercados de commodities parecem estar transitando — pelo menos temporariamente — de um equilíbrio global único para sistemas mais segmentados regionalmente, aumentando o risco de uma maior volatilidade." Essa transformação é reflexo de choques de oferta recentes. Após as interrupções nas cadeias de suprimentos de 2020 e os choques alimentares e de energia de 2022, os formuladores de políticas começaram a focar na garantia de acesso a materiais críticos.
Essas medidas incluem tarifas, controles de exportação, apoio à produção local e o acúmulo de estoques por parte dos governos, que juntos estão remodelando os mercados de commodities e tornando os preços mais sensíveis a choques.
Exemplo do cobre
A Goldman Sachs menciona o cobre como um exemplo inicial dessa dinâmica. Apesar das expectativas de um excesso global de oferta em 2025, os preços dispararam devido ao acúmulo de materiais pelos Estados Unidos, que retirou esse recurso dos mercados internacionais. Isso resultou em mercados fora dos EUA, onde os preços de referência globais são estabelecidos, mais apertados.
Essa dinâmica não se limita apenas às ações governamentais. A demanda por commodities em um formato semelhante a seguros, que inclui não apenas o ouro, mas também metais industriais como o cobre, está se expandindo para além do setor público. Investidores do setor privado estão voltando-se para ativos tangíveis para diversificação em um ambiente político global incerto.
Esses fluxos de investimento estão impulsionando os preços dos metais e amplificando a volatilidade no mercado. A situação do ouro se destaca por ser estruturalmente diferente. Enquanto a maioria das commodities pode ajustar a oferta quando os preços sobem, os produtores de ouro, na maioria das vezes, não conseguem aumentar rapidamente a produção. Isso ocorre, pois quase todo o ouro já extraído ainda existe acima do solo, e a oferta anual é relativamente estável e lenta para reagir a movimentos de preços.
Impactos e previsões
A demanda impulsionada por preocupações de risco pode manter os preços do ouro em alta por períodos prolongados. Na quarta-feira, o preço à vista do ouro estava em torno de R$ 5.500 por onça troy, registrando uma alta de aproximadamente 16% neste ano em meio a negociações voláteis. O ouro atingiu uma alta histórica acima de R$ 5.500 por onça em 29 de janeiro, mas sofreu uma queda de mais de 10% um dia depois, caindo para menos de R$ 5.000 por onça.