Gustavo Petro denuncia complôs e tensão política na Colômbia
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, fez uma declaração alarmante durante um Conselho de Ministros, revelando ter sido alvo de novas tentativas de assassinato e reportando uma conspiração que teria como objetivo incriminá-lo com drogas. Por trás de sua acusação, existe um clima de desconfiança que permeia a esfera política do país.
No encontro realizado em Bogotá, Petro relatou que, nesta mesma semana, foi surpreendido em um voo de helicóptero, que precisou desviar seu trajeto e sobrevoar o oceano por quatro horas antes de conseguir aterrizar. Ele não forneceu detalhes sobre a ameaça ou sobre quem estaria por trás dela.
A declaração mais impactante do presidente foi sua alegação de que teriam tentado plantar "substâncias psicoativas" (referindo-se à cocaína) em sua entourage, como parte de um plano para prejudicar sua reunião recente com Donald Trump na Casa Branca. Essa informação levou à ordem de afastamento de um general da polícia, que teria, indiretamente, sido apontado como implicado na operação.
Desde que assumiu a presidência, Petro tem denunciado vários complôs contra sua vida e administração. Em conversas privadas, ele costuma expressar sua percepção de que "não pode confiar em ninguém", refletindo uma desconfiança que remonta ao seu passado guerrilheiro, onde traições foram comuns. Seu histórico de acusações, entretanto, frequentemente carece de provas ou investigações concretas que sustentem suas afirmações.
Essas denúncias, embora impactantes, têm gerado um ambiente de suspeita que, por fim, pode desgastar a credibilidade do presidente e das agências de inteligência encarregadas de sua proteção. Fontes de inteligência contatadas pelo jornal EL PAÍS não conseguiram elucidar o assunto, revelando que existem versões conflitantes sobre a origem do que chegou até o presidente.
As informações disponíveis apontam que duas linhas de investigação são consideradas. A primeira liga as acusações à Direção Nacional de Inteligência (DNI), que é de confiança do presidente e composta por figuras próximas de seu passado no grupo guerrilheiro M-19. O general afastado, Edwin Urrego, também comentou que se deveria investigar quem forneceu informações falsas a ele, incluindo a própria DNI.
A segunda versão sugere uma possível colaboração entre setores da inteligência militar e agências estrangeiras, em meio a uma tensão crescente entre a Colômbia e a Venezuela. Reporta-se que informações teria sido encaminhadas à estação da CIA na Colômbia, sendo repassadas diretamente ao presidente, o que acrescenta mais complexidade ao cenário político.
Ademais, tanto os setores próximos a Petro quanto os mais conservadores da inteligência nacional estão em constante disputa, com acusações mútuas de amadorismo e conluio. A situação se agrava com a denúncia envolvendo a cocaína e o carro presidencial, que acaba por ampliar as divisões existentes entre as agências de segurança.
Após as denúncias, o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, determinou que as forças armadas intensificassem suas operações de inteligência para neutralizar quaisquer ameaças ao presidente. Em suas redes sociais, ele enfatizou a gravidade da situação, independentemente das veracidades das alegações de Petro.
Nada pode nem deve ocorrer ao presidente da Colômbia. A segurança de Gustavo Petro, eleito democraticamente, é uma responsabilidade de todo o Estado, enfatizou Sánchez.
Enquanto isso, o general Urrego, que se vê implicado nas acusações, buscou se defender publicamente e anunciou que tomará ações legais. As tensões aumentaram ainda mais quando Petro insinuou que o ministro do Interior, Armando Benedetti, estaria diretamente envolvido nas manobras contra ele, em alusão a um assentamento realizado em sua residência por ordem judicial.
No dia seguinte à revelação de Petro sobre a plantação de drogas, a situação entre as partes envolvidas continuava tensa, mesmo que o presidente seguisse com sua agenda política, mostrando-se focado em outras questões. Enquanto os desdobramentos das acusações ainda deixavam muitas dúvidas, a disputa pelo poder e a desconfiança entre as instituições seguem como pano de fundo no atual governo colombiano.