Bolsonaro e Moro: Nova Aliança em Meio a Conflitos no Paraná
A política brasileira vive um momento de incertezas e reconfigurações com a possível aliança entre Flávio Bolsonaro e Sergio Moro. Essa união está sendo considerada para fortalecer a candidatura presidencial de Flávio no estado do Paraná, onde as disputas estão acirradas, principalmente contra o atual governador Ratinho Junior e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No cenário atual, Flávio Bolsonaro, senador pelo PL e pré-candidato à presidência, vê em Moro, que é representante do União Brasil, uma oportunidade para consolidar um palanque forte que o favoreça nas eleições de 2026. A ideia é que, juntando forças, consigam um suporte significativo para enfrentar a popularidade de Lula no estado, uma vez que pesquisas recentes indicam Moro como líder em intenções de voto.
A relação entre Moro e a família Bolsonaro, no entanto, não é simples. O ex-juiz da Lava-Jato deixou o governo em abril de 2020, após desavenças com Jair Bolsonaro sobre o comando da Polícia Federal. Na época, sua saída foi marcada por críticas e a alegação de que precisaria “preservar a biografia”. Desde então, a relação entre eles foi marcada por tensões, mas a nova movimentação política pode sinalizar uma reaproximação.
Os aliados de Flávio acreditam que a ocupação de um mesmo palanque com Ratinho Junior é uma tarefa difícil, dada a competição que se estabelece. Em resposta, eles veem Sergio Moro como a chave para uma campanha robusta e bem-sucedida no Paraná. O atolamento do governador paranaense em sua própria candidatura à presidência traz um novo elemento a essa relação e uma motivação para a busca de parcerias.
Recentemente, Moro tem se posicionado de maneira cautelosa em relação a qualquer comentário sobre a possível aliança, mantendo um silêncio estratégico. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro reafirmou que sua candidatura ao governo paranaense é “irreversível”. Essa declaração acontece em meio a uma situação complexa na federação entre o União e o Progressistas, com o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, já tendo descartado a possibilidade de apoio ao ex-juiz.
Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores (PT) e seus aliados no estado estão se organizando para oferecer resistência à possível aliança entre Flávio e Moro. O deputado estadual Requião Filho (PDT) emergiu como opção viável para a oposição, somando-se a uma chapa que também conta com a ministra Gleisi Hoffmann no Senado.
A relação entre Moro e o governo Bolsonaro é um tema controverso que remonta a sua saída do ministério, quando muitos interpretaram suas críticas como um rompimento definitivo. No entanto, em 2022, com a ascensão novamente do ex-presidente Bolsonaro, a narrativa parecia mudar, com Moro oferecendo apoio durante a campanha. O ex-juiz não tem descartado a possibilidade de críticas à conduta de Lula, o que pode indicar um movimento estratégico em busca de uma nova base de apoio.
Por fim, as movimentações políticas de Flávio Bolsonaro e Sergio Moro refletem não apenas tensões e reconciliações internas, mas também a dinâmica eleitoral que permeia o Paraná e o Brasil como um todo. A aliança, se concretizada, poderá alterar drasticamente o cenário eleitoral, especialmente com a presença forte do ex-presidente Lula disputando novamente o Palácio do Planalto. O desfecho dessa articulação ainda está em aberto e deverá ser acompanhado de perto por analistas e pela população.