Um ano após o escândalo do $Libra
No último dia 22 de janeiro, completou-se um ano desde que o presidente argentino Javier Milei se viu envolvido em um escândalo que levantou questionamentos sobre sua participação em uma suposta fraude transnacional relacionada ao criptoativo $Libra. Até o momento, as investigações não conseguiram esclarecer as responsabilidades, e Milei continua sem dar explicações.
No dia 14 de fevereiro de 2025, enquanto muitos casais se preparavam para comemorar o Dia dos Namorados, Milei postou em sua conta no X uma mensagem que, segundo muitos, iniciou um possível esquema fraudulento. O presidente promovia o criptoativo $Libra, que teve uma valorização explosiva, seguida por uma queda abrupta, deixando muitos investidores em dificuldades financeiras.
Uma promoção controversa
Um ano após os eventos, é evidente que as várias linhas de investigação não resultaram em conclusões claras. A mensagem de Milei, que dizia "A Argentina liberal cresce!!!", apresentava um projeto que se propunha a financiar pequenas empresas ao incentivar o uso do $Libra. Porém, o ativo foi criado apenas meia hora antes do post, e os desenvolvedores transferiram os fundos para sua operação minutos antes de sua divulgação.
Informações alegam que Hayden Davis, CEO da empresa responsável pela criação do $Libra, tinha um contrato confidencial com Milei que o declarava como seu assessor em assuntos cripto. Após a divulgação, evidências indicaram que os criadores da moeda liquidaram suas participações, obtendo lucros que variam entre 80 e 100 milhões de dólares.
A situação atual das investigações
Um relatório do Congresso argentino revelou que mais de 114.000 carteiras digitais sofreram perdas devido ao esquema. Com certeza, aqueles que investiram enfrentaram cifras alarmantes, sendo que centenas de pessoas perderam mais de 100.000 dólares cada. Apesar das evidências, Milei tem se esquivado de responsabilidades, afirmando que apenas tratava-se de um cidadão compartilhando uma ideia interessante.
"Até agora, ao presidente saiu muito barato. Não há grandes responsabilidades para Milei, e isso não porque não existam provas, mas sim por um acordo tácito entre juízes e fiscais para não investigá-lo" - afirma Pedro Biscay, diretor do Centro de Investigação e Prevenção da Criminalidade Econômica.
Atualmente, existe um processo judicial em andamento na Argentina, que avança lentamente. O promotor responsável, Eduardo Taiano, afirmou que ainda está coletando provas. Entretanto, ainda não foram chamados depoimentos de testemunhas, e o processo enfrenta críticas de lentidão e falta de objetividade, enquanto Milei e sua irmã, Karina, permanecem envolvidos na investigação.
Desdobramentos políticos e sociais
A investigação também ganhou espaço nos Estados Unidos, onde uma ação coletiva foi movida contra Hayden Davis, excluindo Milei do foco inicial, mas não ignorando seu papel central no escândalo.
Enquanto isso, Milei implementou medidas para conter as repercussões do caso, desde a dissolução de uma unidade especial criada para investigar o $Libra até a exoneração de quaisquer irregularidades na sua conduta. Contudo, a proposta de um julgamento político a seu respeito não deve prosperar no Congresso, principalmente após recentes eleições que fortaleceram seu apoio.
À medida que o primeiro aniversário do escândalo se aproxima, as incertezas e a insatisfação dos investidores continuam a crescer, esperando por esclarecimentos que até agora fazem falta em um dos maiores escândalos financeiros da Argentina.