O retorno inesperado dos cubanos a Guantánamo
No início de fevereiro de 2026, mais de 50 migrantes cubanos testificaram uma odisséia sem precedentes ao serem deportados de forma inesperada de Louisiana para a Base Naval de Guantánamo, em Cuba. Os deportados acreditavam que estavam a caminho de La Habana, mas acabaram em território americano, o que gerou confusão e desespero.
Segundo relatos, no dia 31 de janeiro, durante a hora do banho no Campo 6 da Base, um detento chamado Vladimir Gago Soriano escorregou e caiu, ferindo sua perna, já comprometida por um acidente anterior. A demora das autoridades em socorrê-lo apenas aumentou o desespero entre aqueles que aguardavam um retorno seguro ao seu país.
Expectativa e realidade para os deportados
Ao longo de 2025, os deportados aguardavam por um retorno à Cuba, que todos esperavam que fosse pela porta da frente de La Habana. Mas em 13 de dezembro, uma chamada de Alexandria Staging Facility, um centro de detenção em Louisiana, trouxe a notícia que mudaria suas vidas. “Meu filho me chamou animado dizendo que estava voltando para casa”, relatou Arelys Piloto, ansiosa por ver seu filho após um longo período de detenção. O que deveria ser um momento de alívio se transformou em um pesadelo quando eles descobriram que haviam sido levados para Guantánamo.
Desembarcando sob a vigilância de militares armados, muitos deportados relataram o medo e a incerteza quanto ao seu destino. O ambiente na base, que é tradicionalmente associada a detentos de segurança máxima e terroristas, gerou angústia entre eles, que não compreendiam o que estavam fazendo ali.
A vida dentro da base militar
Os relatos provenientes de Guantánamo revelam condições adversas. Os migrantes, agora detidos, viviam em um estado de angústia, tendo em vista que suas famílias não conseguiam contatá-los. Muitos detentos ficaram em dúvida sobre o que aconteceria com eles após a chegada na base. A comunicação era limitada: “Só podíamos falar com nossas famílias por alguns minutos, e mesmo assim, estávamos algemados”, disse um dos deportados.
- Relatos de tratamentos desumanos aumentaram as preocupações entre os parentes dos detidos.
- As condições de alimentação e a falta de acesso a informações sobre o destino dos deportados intensificaram a tensão.
A Base Naval de Guantánamo, um símbolo de tensões entre os EUA e Cuba, se transforma em um microcosmo das dificuldades que muitos cubanos enfrentam. Mesmo com a proximidade geográfica, existia uma distância significativa na realidade vivida entre os migrantes e suas famílias.