A resposta de Mike Pence e a democracia americana
Recentemente, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, foi alvo de discussão após um debate público no Teatro Nacional de Ópera em Amsterdã. Durante o encontro, que ocorreu em 22 de novembro, Pence foi questionado sobre sua percepção a respeito da democracia americana e, em especial, sobre o ex-presidente Donald Trump.
Em meio a uma plateia de mais de 1.500 pessoas, Pence refletiu sobre seu papel durante os tumultuados eventos de 6 de janeiro de 2021, quando o Capitólio foi invadido por apoiadores de Trump. Naquele dia, ele se viu em uma situação crítica, onde sua vida estava em risco, mas decidiu certificar a vitória de Joe Biden, resistindo à pressão de Trump para reverter o resultado eleitoral.
Uma resposta impactante
No debate, um dos momentos mais marcantes foi quando um participante perguntou a Pence se ele acreditava que Trump acreditava na democracia. A resposta de Pence, embora esperada por alguns, trouxe uma nova perspectiva. Ele afirmou que Trump, apesar do povo americano e de sua inabalável fé na democracia, não compartilhava desse mesmo ideal.
Essa admissão por parte de alguém que foi vice-presidente sob a administração de Trump destaca uma fissura ainda mais profunda na política americana. Pence, um político conservador e religioso, poderia ter optado por uma retórica mais amena, mas decidiu falar a verdade, refletindo a deterioração das normas democráticas sob a liderança de Trump.
Reflexões sobre o trumpismo
Ainda que muitos considerem Trump uma ameaça à democracia, a maneira como o ex-presidente opera é complexa. Enquanto o fascismo tradicional ataca a democracia abertamente, o trumpismo faz isso em nome dela, tornando-se, paradoxalmente, uma forma mais insidiosa de autoritarismo. Esse elemento de manipulação torna a situação ainda mais perigosa, uma vez que confunde a opinião pública e diminui a capacidade de reação da sociedade.
É preciso reconhecer que a questão em torno de Trump não deve ser diluída em comparações com outros líderes políticos, como o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez. A crítica a Sánchez não deve servir como uma forma de minimizar os riscos que o trumpismo representa. Isso demonstra, como muitos apontam, uma obsessão que pode obscurecer a clareza necessária nesse momento.
O papel dos cidadãos americanos
Perante essa crise, é evidente que a solução precisa vir dos próprios americanos. Recentemente, manifestantes se levantaram contra os abusos do ICE em Minneapolis, demonstrando que há uma resistência crescente contra as políticas de Trump. Essa movimentação pode marcar o início de uma recuperação democrática nos EUA.