A jornada de Samantha Jirón em busca de liberdade
No dia 9 de novembro de 2021, a vida de Samantha Jirón, uma jovem ativista nicaraguense, mudou para sempre. Com apenas 20 anos, foi presa em Managua ao denunciar irregularidades nas eleições presidenciais de seu país. Após 15 meses de detenção, oito dos quais em isolamento, Jirón foi forçada a deixar sua terra natal e agora busca construir um novo futuro em Madrid, onde estuda jornalismo na Universidade Complutense.
Da prisão ao exílio
Durante sua encarceramento, Jirón enfrentou condições desumanas e foi condenada a 12 anos de prisão sob acusações infundadas pelo regime de Daniel Ortega. Ela relata que o tratamento recebido dentro da prisão era muito mais severo em comparação ao de outras presas, e evidencia a disparidade de tratamento entre mulheres e homens em situações de injustiça.
“Em Nicaragua, tratam melhor uma assassina do que alguém que pensa livremente”, afirma Jirón em uma de suas reflexões profundas sobre a repressão política em seu país. Sua experiência na prisão não apenas a marcou fisicamente, mas também psicológica e emocionalmente, criando um abismo entre sua vida anterior e a que vive atualmente.
Um novo capítulo em Madrid
Em Madrid, Jirón encontra-se em uma constante busca de equilíbrio. Lida com os desafios de ser uma refugiada, ao mesmo tempo em que tenta se integrar em uma nova cultura e continuar sua luta pelos direitos humanos. A jovem activista não apenas estuda, mas também continua seu compromisso com a causa dos direitos humanos e a liberdade de expressão.
“Estar aqui é um aprendizado. Em Espanha, aprendi a separar a minha vida pessoal da parte política, algo que não conseguia fazer antes”, compartilha. No entanto, ela confessa que a saudade de sua terra natal é constante. Para Jirón, a memória da Nicaragua que deixa para trás é um duelo diário.
O impacto do exílio na vida de Jirón
O exílio forçado traz à tona diversas dores e desafios. Nicaraguenses como Jirón são recebidos em outros países, mas muitas vezes se sentem deslocados. Ela reflete sobre o sofrimento causado pela perda de laços familiares e culturais, um sentimento partilhado por muitos dos cerca de um milhão de nicaraguenses que deixaram o país nos últimos anos.
Além das dificuldades de adaptação a uma nova vida, como a busca por trabalho e a continuidade da educação, a ativista também se dedica a manter viva a memória de seus compatriotas que ainda enfrentam a repressão em sua terra natal. Jirón acredita que a história de seu povo deve ser contada, e isso a motiva a se tornar uma jornalista.