Instabilidade política marca a destituição de José Jerí no Peru
O Congresso do Peru destituiu o presidente interino José Jerí, realizando uma nova votação de censura, a apenas dois meses das eleições presidenciais. Esse episódio reforça a crise política que assola o país, onde nenhum dos últimos sete presidentes conseguiu concluir seus mandatos. O cenário atual é um reflexo da frequente instabilidade política que tem se tornado comum entre os peruanos.
A atual situação é ainda mais alarmante considerando que, após apenas 130 dias no cargo, José Jerí torna-se o oitavo presidente que não cumprirá os cinco anos de mandato estabelecidos por lei Desde a destituição de Dina Boluarte, em outubro do ano passado, a cada nova eleição, os peruanos se acostumaram a ver presidentes mudarem com frequência.
Na sua votação de censura, o Congresso mostrou uma vez mais seu poder de decisão em relação à presidência. O legislativo é responsável por colocar e remover presidentes, como foi o caso quando destituiu Boluarte e colocou Jerí no cargo. No entanto, a relação de Jerí com empresários chineses de reputação duvidosa, além de outras denúncias envolvendo reuniões clandestinas, foram fatores determinantes para sua queda.
“Estamos em uma crise de poder, pois os votos de censura refletem interesses eleitorais”, afirma Mabel Huertas, analista da consultoria 50+Uno, que também nota uma crescente desconexão entre os cidadãos e seus representantes. Essa situação se agrava com a proximidade das eleições, onde mais da metade dos congressistas busca reeleição.
Paula Távara, outra especialista em política, ressalta que a figura do presidente no Peru perdeu força ao longo dos anos devido ao aumento dos poderes do Congresso, que agora exerce maior controle sobre o Executivo. A falta de alianças sólidas no Legislativo e a desconfiança generalizada em relação aos políticos têm levado a um parlamento dominado por interesses pessoais.
Os efeitos dessa crise de governança são visíveis. Desde 2016, a duração média dos ministros de Economia e Finanças foi de apenas oito meses, e a do Presidente do Conselho de Ministros foi ainda menor, de sete meses. Segundo Iván Lanegra, professor de Ciências Políticas, essa precária situação indica que, embora o país enfrente crises frequentes, ele continua a operar de maneira surpreendente. O Peru deve apresentar um crescimento de 3,4% em 2025, mesmo com a dupla presidência do ano anterior.
Com eleições se aproximando, os peruanos estarão votando não apenas por um novo presidente, mas também por deputados e senadores. Especialistas consideram que a censura de Jerí não impactará o processo eleitoral, mas sim que o evento já faz parte da campanha que se desenrola no país.
Conclusão
A destituição de José Jerí destaca a crise política que o Peru enfrenta, revelando fraquezas institucionais que perduram há anos. O futuro político do país permanece incerto, à medida que o povo peruano se prepara para escolher seus próximos representantes em um contexto de desconfiança e instabilidade.