O impacto do vibe coding na produtividade dos desenvolvedores
Anni Chen, líder técnica na Amazon, compartilha suas experiências sobre uma prática que está revolucionando a forma como os desenvolvedores trabalham: o vibe coding. Essa descrição traz à tona um método que, apesar de ser uma ferramenta poderosa para incremento de produtividade, exige cautela em ambientes de escala e produção.
Com mais de três anos de experiência na empresa, Chen destaca que o vibe coding é uma técnica que acelera a criação de código, mas deve ser utilizada com restrições. A prática consiste em gerar código com auxílio de inteligência artificial, um processo que a profissional descreve como uma "loteria": enquanto algumas vezes o resultado é incrível, outras podem não levar a soluções viáveis.
"Vibe coding ajuda a brainstormar visões do que a solução pode parecer, mesmo que eu não adote a solução final proposta", afirma Chen. A desenvolvedora utiliza essa técnica principalmente para debugging e tarefas menores, onde a rapidez é crucial. O processo é iterativo: ao fornecer informações iniciais à IA, Chen recebe uma versão do código, que é então revisada como se estivesse em um encontro com colegas de trabalho.
A precisão da IA, no entanto, não é infalível. Chen adverte que, ao lidar com tarefas complexas, é imprescindível a verificação constante do que a ferramenta gera. "Para tarefas complicadas, é necessário mais checagem dupla. Mesmo assim, levar menos de 15 minutos para apresentar uma proposta é um ganho significativo em relação ao tempo que levaria sem o uso de LLM", diz ela.
Apesar da eficiência que o vibe coding pode oferecer, Chen expressa ressalvas quanto ao seu uso em produção. Ela explica que os modelos de linguagem gerados (LLMs) frequentemente fazem suposições que podem não serem percebidas. Se um desenvolvedor não comunica claramente que determinados aspectos devem funcionar para múltiplas threads, a IA pode simplesmente entregar a versão mínima, que poderá falhar sob condições de uso intensivo.
"Aqueles que não possuem conhecimento técnico podem utilizar um LLM para tentar resolver problemas reativamente, mas é um desafio prever limitações sem a compreensão adequada de como a IA opera", explica a técnica. Segundo ela, a consciência das restrições é vital no desenvolvimento de sistemas que atendam a milhões de usuários.
A adoção do vibe coding na Amazon começou sob a liderança de um time focado em inteligência artificial generativa, gerando resistência em equipes que não eram adeptas dessa tecnologia. "No início, havia um certo medo de que a IA roubasse o emprego dos desenvolvedores. No entanto, após experimentarem o processo, a percepção mudou", relata Chen. A prática, que parecia estranha no começo, tem se tornado comum entre os desenvolvedores, que agora reconhecem o valor que a IA pode agregar ao trabalho.
Por fim, Chen enfatiza que o vibe coding está se tornando quase irresistível. "À medida que seus colegas utilizam essa técnica e aumentam sua produtividade, torna-se difícil acompanhar o ritmo. Mesmo aqueles que hesitam em aventurar-se, acabam consumindo as saídas da IA de maneira passiva, já que os comentários gerados por IA estão incorporados em revisões de código", conclui a desenvolvedora.
O uso crescente do vibe coding pode moldar o futuro do desenvolvimento de software, exigindo um equilíbrio delicado entre inovação e prática crítica.