Homem é indiciado por abandonar filhote com paralisia em São Roque
Um homem de 38 anos foi indiciado pela Polícia Civil após abandonar um filhote de cachorro da raça chow-chow com paralisia nas patas traseiras, em São Roque, São Paulo. O crime ocorreu na manhã do dia 16 de fevereiro, quando o animal foi deixado em uma caixa de madeira em frente a um comércio no bairro Jardim Suíça Paulista.
De acordo com o boletim de ocorrência, a dona de um hotel para cães ouviu o choro do filhote na rua e encontrou-o na caixa. Embora houvesse potes com água e ração, o animal estava sujo, debilitado e incapaz de se mover. A Guarda Civil Municipal foi acionada, e uma avaliação veterinária confirmou a situação alarmante de maus-tratos.
Câmeras de segurança da região flagraram o momento do abandono. As imagens mostram um carro parando, o motorista saindo para deixar a caixa na calçada e abandonando o local. Graças à filmagem, a polícia conseguiu identificar o suspeito.
A partir da placa do veículo, os investigadores localizaram a dona do carro, que alegou que o automóvel era utilizado pelo companheiro de sua enteada. O homem, que é marceneiro, foi convocado a comparecer à delegacia, onde confessou o crime. Em seu depoimento, ele afirmou que havia encontrado a cachorrinha em uma estrada de terra apenas dois dias antes e tentou alimentá-la, mas percebeu que ela não conseguia mover as patas traseiras.
No entanto, o indiciado justificou seu ato de abandono dizendo que não tinha condições financeiras para arcar com o tratamento veterinário. Ele contou que deixou o filhote diante do comércio acreditando que se tratava de uma ONG que poderia oferecer assistência ao animal. Apesar de expressar arrependimento, negando a intenção de maltratar a criatura, a delegada Bruna Racca de Madureira optou por indiciá-lo por maus-tratos.
A decisão foi fundamentada nas evidências obtidas, incluindo as gravações das câmeras e a confissão do autor do abandono. A legislação sobre maus-tratos a animais, prevista na Lei de Crimes Ambientais (Lei número 9.605 de 1998), prevê penas que variam de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e possíveis restrições em relação à guarda de outros animais.
Enquanto isso, o filhote de chow-chow continua recebendo os cuidados necessários no hotel para cães onde foi encontrado, aguardando por um futuro melhor.