União Brasil busca apoio do PT e enfrenta desafios no Ceará
O União Brasil tem demonstrado uma intenção clara de fortalecer sua bancada de deputados, sinalizando apoio ao Partido dos Trabalhadores (PT) no estado do Ceará. Essa estratégia pode impactar fortemente as pretensões de Ciro Gomes, presidente do PSDB, que mira a corrida pelo governo do estado.
A aproximação da legenda com o PT indica que há uma tendência mais favorável à reeleição do governador Elmano de Freitas, filiado ao PT. A movimentação ocorre em meio a um contexto em que a aliança com o PT no Ceará se mostra como uma opção mais atrativa do que a possível colaboração com Ciro Gomes.
No estado vizinho, Pernambuco, o União Brasil enfrenta resistência de aliados, especialmente do Progressistas (PP). O partido de Ciro Gomes deseja apoiar o prefeito do Recife, João Campos, mas o PP, que tem influência considerável na formação de federações políticas, defende um alinhamento com a atual governadora, Raquel Lyra (PSD).
Em contrapartida, na Bahia, as perspectivas são de oposição ao PT, com a candidatura de ACM, representante do União Brasil, se preparando para enfrentar o atual governador, Jerônimo Rodrigues, do PT.
No Ceará, o cenário interno do União Brasil revela divisões sobre a quem apoiar. Deputados como Moses Rodrigues e Fernanda Pessoa, assim como prefeitos da região, mostram-se mais inclinados a estabelecer uma aliança com o PT. Enquanto isso, figuras como o deputado Danilo Forte e o ex-deputado Capitão Wagner defendem um entendimento com Ciro Gomes e o PL (Partido Liberal) do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A oposição no Ceará já começou a delinear uma estratégia para a distribuição de cargos entre os aliados. Ciro Gomes almeja a candidatura ao governo, com a intenção de que Capitão Wagner se lance ao Senado, enquanto Roberto Cláudio (União Brasil) e o PL ocupem uma das vagas de vice-governador ou senador.
No início deste mês, Ciro Gomes jantou com Antonio Rueda, presidente do União, e Ciro Nogueira, presidente do PP, mas ainda não conseguiu assegurar o respaldo da federação para sua candidatura. "Esse apoio foi defendido em um jantar que fiz em minha casa no início do mês", comentou Danilo Forte, que organizou o encontro.
Aliados na cúpula da federação ressaltam que Ciro precisa provar que seus candidatos a deputados federais são mais competitivos que os que buscam apoio do PT. Ele promete filiar seus principais aliados ao União Brasil, ao invés do PSDB, como condição para garantir o apoio necessário para a sua candidatura. Porém, a cúpula ainda espera a concretização dessa promessa.
Enquanto isso, o PP no estado se mostra majoritariamente a favor do PT e de Lula, mas a decisão ressoará mais em favor do União Brasil, que possui um número superior de deputados federais. Até o momento, o União Brasil, que estuda formar uma federação com o PP, não definiu oficialmente quem apoiará para a presidência da República, mas tende a manter uma posição neutra nas eleições presidenciais. Contudo, mesmo caso optem por apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), as alianças locais com o PT podem ser viabilizadas.
A expectativa é que as diretrizes para os acordos regionais comecem a se esclarecer a partir do final do mês, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve se manifestar sobre o pedido de união entre o União Brasil e o PP visando a formação de uma federação.
Em relação à sua candidatura, Ciro Gomes tem se mostrado cauteloso: "É o começo de uma caminhada que, no fim, vai dar uma decisão se eu sou candidato ou não. Mas antes eu tenho que conversar, e a conversa é aqui dentro, porque tem uma briga. Meu juízo dizendo pra eu não ser candidato e meu coração já todo balançado para eu ser candidato", afirmou em um evento recente. Contudo, o PSDB tem descartado a possibilidade de que ele não concorra ao governo.