Silêncio dos Estados Unidos após ataque em águas cubanas levanta questões
Um incidente recente em águas cubanas surpreendeu o governo dos Estados Unidos e deixou muitos questionamentos sobre a relação entre Washington e Havana. O ataque ocorreu quando guardas costeiros cubanos dispararam contra uma lancha civil que transportava dez pessoas em direção a ilha, resultando na morte de quatro indivíduos, incluindo um cidadão americano. O secretário de Estado, Marco Rubio, estava no Caribe e interrompeu sua agenda para responder a perguntas sobre o incidente, mas sua resposta foi notavelmente cautelosa e distante do que muitos esperavam.
Durante a cúpula da Comunidade do Caribe (Caricom) em San Cristóbal e Nieves, os jornalistas questionaram Rubio sobre possíveis represálias e se ele mantinha contato com as autoridades cubanas. Ele optou por não especular, afirmando: "Não irei opinar sobre o que ainda não sei. Mas iremos averiguar exatamente o que ocorreu e responderemos em consequência". Essa resposta moderada foi um contraste com as reações frequentemente contundentes da administração americana em crises anteriores.
A falta de uma resposta incisiva por parte de Washington é particularmente interessante, considerando que um dos mortos tinha cidadania americana. Em outros tempos, isso poderia ter sido um casus belli, mas o momento atual nas relações entre os dois países é delicado. Embora o presidente Donald Trump tenha frequentemente criticado o regime cubano, ele também se absteve de fazer comentários explosivos sobre o incidente.
A resposta cautelosa do lado americano fez ecoar as vozes dos representantes cubanos que também se mostraram mais diplomáticos neste caso. O viceministro Carlos Fernández de Cossío ressaltou que as autoridades cubanas estavam em contato com o Departamento de Estado americano e estavam dispostas a cooperar para esclarecer o ocorrido. Esse desvio de tom denota a complexidade das relações bilaterais em um momento em que ambos os países parecem mais inclinados ao diálogo.
Além disso, o ocorrido provocou memórias de eventos trágicos anteriores, como o derribo de aeronaves humanitárias e outros episódios de violência no mar, que marcaram a história das relações entre Cuba e os EUA. A congressista florida Debbie Wasserman Schultz também comentou sobre o “silêncio da administração Trump” em relação ao incidente, levantando a questão se essa postura indica uma mudança mais abrangente na política americana em relação à ilha.
Com a crescente pressão interna e a especulação sobre as negociações entre as duas nações, o futuro permanece incerto. A possibilidade de um diálogo parece estar se formando, desafiando a retórica tradicional de uma resposta militar. A administração Trump tem se focado em mudanças econômicas em Cuba antes de buscar transformações políticas mais radicais, o que pode ser um indicativo das novas estratégias em andamento.
.