Família apoia exumação para esclarecer morte de PM em SP
A morte da policial militar Gisele Alves Santana, ocorrida em fevereiro, continua a levantar sérias questões e investigações acerca das circunstâncias que a cercam. A família de Gisele declarou que está aberta a apoiar uma possível exumação do corpo, caso essa medida se faça necessária para esclarecer as contradições em torno do caso.
Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo, com um tiro na cabeça. Inicialmente, a Polícia Civil registrou o caso como suicídio, mas dada a complexidade do caso, foi reclassificado como morte suspeita.
A perícia revelou traços de sangue no box do banheiro, além de um laudo necroscópico que apontou que o disparo foi feito com a arma encostada no lado direito da cabeça da vítima. O advogado da família, José Miguel Silva, afirmou que esperam que novos laudos periciais possam oferecer mais clareza sobre a morte da soldado.
"A família não quer injustiça, a família quer justiça. É o direito de um pai, de uma mãe e de uma filha saber o que realmente aconteceu naquele dia", disse Silva em coletiva de imprensa.
A relação de Gisele com o tenente-coronel da PM, Geraldo Neto, seu marido, está no centro das investigações. Informações obtidas pela família de Gisele indicam que Geraldo mantinha um controle excessivo sobre as redes sociais da esposa, levantando suspeitas sobre uma possível relação abusiva. Em uma conversa obtida, Geraldo teria repreendido um primo de Gisele, o que indicaria um padrão de controle e violência psicológica.
O 8º DP, responsável pela investigação, está atualmente avaliando a viabilidade de um pedido de exumação para resolver as incertezas em relação à causa da morte. Essa iniciativa, embora considerada rara, pode ser um passo importante para que a verdade venha à tona.
Geraldo foi afastado da Polícia Militar após o incidente. Em seu depoimento à polícia, ele mencionou ter discutido com Gisele antes do disparo e afirmou que ao ouvir o barulho, encontrou a esposa caindo ao chão com uma arma em suas mãos.
A família, no entanto, contesta essa versão, classificando o relacionamento deles como tóxico e relataram episódios de violência psicológica. Gisele era mãe de uma menina de sete anos, que, segundo os parentes, também percebeu a situação abusiva vivida pela mãe.
As circunstâncias trágicas da morte de Gisele ganharam atenção em um momento em que o país intensifica suas discussões sobre feminicídio e misoginia. O aumento da violência contra a mulher no Brasil é alarmante, e a busca por justiça nos casos que envolvem denúncias de abuso é cada vez mais urgente.
O laudo encontrado sobre o sangue no box e a dinâmica do tiro requerem investigações mais profundas. A família aguarda ansiosamente por um desfecho que possa trazer à tona a verdade sobre a morte da policial, cuja história se tornou um símbolo da luta pela justiça e pelos direitos das mulheres.