Governo brasileiro intensifica medidas contra incêndios florestais
O governo brasileiro demonstrou preocupação com o aumento do risco de incêndios florestais em 2026, em decorrência da previsão de um novo fenômeno climático El Niño, que pode intensificar a seca e as ondas de calor. Após um período de redução de 39% nas áreas queimadas em 2025, o Ministério do Meio Ambiente anunciou uma série de medidas preventivas, incluindo a contratação de mais de 4 mil brigadistas e a utilização de equipamentos especializados para o combate a incêndios.
A ministra Marina Silva ressaltou a importância de um planejamento eficaz e da redução do desmatamento como estratégias fundamentais para enfrentar os desafios climáticos. Após um ano de recorde de queimadas em 2024, onde aproximadamente 30 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo, e uma significativa redução em 2025, há uma nova previsão de retorno do alto risco de queimadas para 2026. O El Niño, que deve ocorrer no segundo semestre, traz consigo a perspectiva de um cenário mais crítico e intenso em relação à seca e às ondas de calor.
No último ano, o Brasil registrou uma impressionante redução de 39% da área queimada no território nacional, comparado à média dos oito anos anteriores (2017 a 2024), totalizando 13,3 milhões de hectares. Dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA/UFRJ) indicam que as maiores quedas foram observadas no Pantanal, com uma redução de 91%, seguidas pela Amazônia (75%) e pela Mata Atlântica (58%).
Entretanto, os registros de queimadas em 2024 demonstraram um aumento de 62% em relação à média histórica, exacerbados pela combinação do intenso El Niño e o aquecimento das águas do Oceano Atlântico Norte, resultando em uma seca extraordinária que afetou severamente a Amazônia e o Pantanal. Com a previsão de um novo El Niño em 2026, os especialistas alertam sobre a possibilidade de um aumento significativo nas temperaturas e ondas de calor, elevando, assim, o risco de incêndios florestais.
O secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima, enfatizou que a intensidade do novo El Niño ainda não pode ser prevista, mas que a possibilidade de um aumento nos incêndios florestais é real. "Estamos trabalhando com a tendência de que, a partir do segundo semestre deste ano, o país enfrente uma situação mais crítica e intensa de seca e de ondas de calor, que com certeza eleva o risco e o perigo de incêndios florestais", explicou Lima.
Uma onda de calor é caracterizada por períodos de pelo menos cinco dias consecutivos com temperaturas superiores em cinco graus à média histórica de uma determinada localidade. A ministra Marina Silva também expressou preocupação com o cenário previsto, mas destacou o comprometimento do governo em implementar ações de combate e prevenção dos incêndios. Ela ressaltou os avanços em termos de brigadistas, equipamentos e uma rede ampliada de parceiros e iniciativas de proteção ambiental.
Na quarta-feira (4), o governo anunciou um conjunto de medidas de prevenção e combate aos incêndios florestais, que incluirão a publicação de uma portaria que declara emergência ambiental por risco de incêndios em áreas vulneráveis. A norma pretende facilitar a contratação emergencial de brigadistas federais e promover ações preventivas de mobilização dos órgãos ambientais.
Para o ano de 2026, o MMA planeja a contratação de 4.660 brigadistas, número que se mantém em relação ao ano anterior, mas que representa um aumento de 25% em relação a 2024. Além disso, a estratégia inclui a mobilização de 18 helicópteros, 2 aviões de transporte e um conjunto extenso de veículos especializados para operações de combate ao fogo, aumentando a capacidade de resposta.
A avaliação das áreas de maior risco para incêndios será baseada em estudos que consideram o déficit de chuvas e o histórico de focos de calor. A ministra Marina Silva destacou que a capacidade do governo para atuar é significativamente maior em 2026 em comparação a 2023, graças ao planejamento prévio desenvolvido.
Ela também frisou: "É fundamental planejar, prevenir e combater esses incêndios, assegurando que as iniciativas sejam não apenas reativas, mas políticas estruturadas e contínuas". Além disso, a ministra mencionou a redução do desmatamento, que foi de 50% na Amazônia e 32% no Cerrado entre 2022 e 2025, como um fator-chave para o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental.
A relação entre a queda do desmatamento e a manutenção do crescimento do agronegócio foi enfatizada, com Marina sublinhando que este crescimento não deve ser confundido com atividades criminosas. Ela ainda abordou a influência das agendas políticas na luta contra os incêndios, chamando atenção para a necessidade de um debate mais amplo sobre mudanças climáticas e suas consequências para o Brasil.
"Espero que, independentemente de questões ideológicas, a emergência climática e a proteção das florestas estejam presentes nas discussões nacionais. O que estamos enfrentando, como enchentes que ceifam vidas, precisam ser tema de debate integral", concluiu Marina Silva.

