Divisões no Bolsonarismo Acerca da Escolha do Candidato ao Senado
A escolha do segundo candidato ao Senado por São Paulo tem gerado divisões significativas no bolsonarismo, refletindo as tensões internas entre figuras proeminentes do grupo político. O ex-presidente Jair Bolsonaro manifesta apoio ao vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo (PL), enquanto seu filho, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, aponta para Mário Frias (PL) como seu preferido. O governador Tarcísio de Freitas, por sua vez, tem buscado um nome mais ao centro para a composição da chapa.
Atualmente, a primeira candidatura confirmada na disputa pelo Senado é a de Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública do estado. Derrite tem seu suplente definido, Vicente Santini, que deixará seu cargo atual em Brasília nos próximos dias. Santini também coordenará a agenda de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. O debate sobre a escolha do segundo candidato da direita paulista ao Senado se intensifica, especialmente ao se considerar o cenário eleitoral de 2026.
As últimas pesquisas de opinião indicam que 40% da população avalia o governo do presidente Lula como ruim ou péssimo, enquanto 33% divulgam considerar a gestão como ótima ou boa. Nesse contexto, tanto o grupo de Lula quanto o bolsonarismo estão se movimentando para apresentar nomes fortes.
O atraso na definição do segundo candidato ao Senado ocorre em meio ao interesse do campo do presidente Lula em candidaturas de destaque, como as das ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB). O foco no perfil mais centrado vem gerando movimentações para que o candidato escolhido pela direita se destaque, não apenas por seu alinhamento político, mas também por sua competitividade nas pesquisas.
Tarcísio de Freitas, durante uma visita ao ex-presidente, expressou sua preocupação sobre a possibilidade de a direita não conseguir eleger senadores em 2026. Para o governador, a inclusão de nomes fortemente ligados ao bolsonarismo pode diluir os votos dos conservadores moderados. A avaliação é de que, embora Derrite apareça bem nas enquetes, a presença de múltiplos candidatos pode dispersar o fluxo de votos.
Flávio Bolsonaro, em um evento na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), destacou que a decisão sobre o segundo candidato será tomada em consenso, podendo ser divulgada no dia 30 de março. Ele ressaltou a importância da conversa entre Eduardo, Jair Bolsonaro e Tarcísio, enfatizando um alinhamento estratégico e a necessidade de suporte mútuo na campanha.
Entre os nomes sob consideração está o da deputada federal Rosana Valle (PL-SP). Apesar de afirmar que seu foco principal é a reeleição, ela admitiu não descartar a possibilidade de uma candidatura ao Senado. "Michelle pediu para meu nome ser testado na pesquisa. Não fez só comigo, fez com outras mulheres no Brasil todo", explicou Rosana, na esperança de obter apoio para uma eventual candidatura feminina.