Auxiliares de Epstein sob investigação por ações controversas
Documentos judiciais revelam a atuação de Richard Kahn e Darren Indyke, administradores do espólio de Jeffrey Epstein, sendo acusados de cumplicidade nos crimes de Epstein. Ambos prestaram depoimento a um comitê do Congresso dos Estados Unidos, em meio a alegações graves sobre suas atividades e controle sobre o dinheiro e os segredos do financista condenado por tráfico sexual de menores.
Em dezembro de 2019, o FBI conduziu uma busca na mansão de Epstein em Nova York, onde descobriram um cofre repleto de itens valiosos, mas que foi esvaziado antes que pudessem coletar evidências. Kahn, contador de Epstein desde 2005, teria solicitado aos funcionários da mansão que retirassem dois malas com conteúdo do cofre e enviassem para sua residência. A recusa de Kahn em permitir que os agentes fossem a sua casa levanta mais questionamentos sobre o acesso dele e Indyke às finanças e operações de Epstein.
Os dois homens, apesar de pouco conhecidos publicamente, agora têm o controle total sobre o patrimônio e as compensações devidas a sobreviventes dos abusos cometidos por Epstein. Em agosto de 2019, dois dias antes da morte de Epstein, eles foram nomeados como executores do testamento, o que implica que concordaram em pagar acordos de compensação sem permitir que os sobreviventes processassem o espólio. Há indícios de que a fortuna de Epstein, estimada em cerca de R$ 3,28 bilhões, ainda traz à tona questões sobre a ética e as práticas de Kahn e Indyke.
Documentos judiciais indicam que os dois homens não somente gerenciaram as contas de Epstein, mas também ajudaram a administrar empresas que existiam, segundo alegações, para facilitar sua operação de tráfico sexual. Isso levanta grandes preocupações com relação ao papel que Kahn e Indyke desempenharam nas atividades ilícitas de Epstein, e a possibilidade de que eles tenham ajudado a ocultar e direcionar os fundos para essas operações. O congressista americano Suhas Subramanyam expressou que tanto Kahn quanto Indyke podem ser fundamentais para entender como Epstein estruturava seus negócios e organizava seus crimes.
Os depoimentos de Kahn e Indyke foram aguardados com grande expectativa por parte das sobreviventes que se sentem compelidas a buscar respostas. Enquanto alguns documentos das operações de Epstein foram apresentados ao Comitê de Fiscalização da Câmara, outros foram severamente editados, o que suscita dúvidas sobre a transparência das informações compartilhadas.
Os advogados de Kahn e Indyke insistem que eles têm cooperado com as autoridades e não houve irregularidades nas suas interações com Epstein, apesar das alegações de que ambos receberam substanciais compensações financeiras do espólio. Em contrapartida, uma mulher que foi vítima de Epstein comentou sobre a expectativa de que os homens assumam suas responsabilidades, afirmando que é crucial que falem e não permaneçam em silêncio como justificativa legal para seus atos.